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Capa da revista Veja, de maio de 1992, que trouxe a entrevista de Pedro Collor de Mello

A entrevista de Pedro Collor à Veja

Atualizado: Terça-feira, 22 Maio de 2012 as 1:10

Em entrevista bombástica ao jornalista Luís Costa Pinto, da revista Veja, Pedro Collor de Mello, irmão do então presidente da República, fez revelações que mudariam o curso da história política do País e representariam um marco do começo do processo que levaria ao impeachment de Fernando Collor, em 1992.

 

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Ex-diretor das organizações Arnon de Mello, que controlava boa parte da imprensa alagoana, Pedro afirmou que PC Farias, ex-tesoureiro da campanha de Collor, era "testa-de-ferro" do presidente e possuía grande influência nas decisões tomadas no governo. Ele disse também que o jornal Tribuna de Alagoas, que PC pretendia lançar em Maceió, era, na verdade, de Fernando Collor, e que um apartamento em Paris comprado pelo tesoureiro também pertencia a seu irmão. Tribuna de Alagoas X Gazeta de Alagoas

O pai de Fernando Collor de Mello, que foi governador e senador em Alagoas, fundou as Organizações Arnon de Mello, um dos grupos de comunicação mais importantes no norte e no nordeste. Segundo conta Pedro Collor, que dirigira a empresa da família, em 1991, ele levou ao então presidente o projeto para montar um novo jornal vespertino em Alagoas. Apesar de explicar que seria uma publicação à parte da Gazeta de Alagoas - jornal da Arnon de Mello - Fernando teria negado.

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"Ele me disse o seguinte: \'Não, não leve a ideia do jornal adiante, porque eu vou montar uma rede de comunicação paralela em Alagoas com o Paulo César (Farias), e essa rede terá um jornal. O Fernando falou que o jornal iria se chamar Tribuna de Alagoas. Também disse que a Tribuna seria impressa na imprensa oficial do Estado", disse Pedro à Veja.

Questionado se a nova empresa de comunicação, que concorreria com a de sua família, era de PC Farias, Pedro respondeu: "O PC seria o testa-de-ferro. Era uma empresa de testa-de-ferro, que teria o jornal e de doze a catorze emissoras de rádio."

À época da entrevista, Pedro Collor havia sido afastado da direção da Arnon de Mello pela própria mãe, Leda, sob a alegação de que o filho sofria problemas mentais. Seu afastamento se deu depois que Pedro entregara - também à Veja - um dossiê contra PC Farias. "Qual foi o principal mote da campanha do Femando? Quem roubava ia para a cadeia. Na prática, estou vendo uma coisa completamente diferente. Ninguém pode enrolar todo mundo o tempo todo", disse na entrevista.

"Testa-de-ferro"


Pedro Collor afirmou "categoricamente" que PC Farias era testa-de-ferro de Fernando Collor de Mello em seus negócios. "O Paulo César é a pessoa que faz os negócios de comum acordo com o Fernando. Não sei exatamente a finalidade dos negócios, mas deve ser para sustentar campanhas ou manter o status quo."

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O irmão do presidente disse que um apartamento em Paris, comprado por PC Farias e onde funcionava e empresa S.C.I. Financière Albert 1er, pertencia a Fernando. "Em patrimônio pessoal, (Fernando) sai (mais rico do governo). Sem dúvida nenhuma."

Pedro garantiu que existia uma sociedade entre PC Farias e seu irmão e que o ex-tesoureiro "tinha prazer" em gerir negócios ilícitos". "O Fernando é incapaz de sentar em uma mesa e dizer assim: \'O negócio é o seguinte: preciso de uma grana para a minha campanha. Me ajuda\'. Pode estar nu e sem sapato que não pede ajuda. Já o PC toma. Deixa você nu se for possível", disse."São os métodos. O PC é o erudito do roubo, da corrupção, da chantagem. Os outros têm uma aspiração, mas também têm um teto. O PC não tem limites."

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Ele afirmou jamais ter mencionado as denúncias contra PC Farias a Fernando, limitando-se a tratar com o presidente as questões referentes à disputa de interesses no setor de comunicações em Alagoas. "Eu sentia que, se eu falasse, ele iria ter uma explosão violentíssima. O Fernando não gosta de escutar críticas."

Pedro Collor chegou a dizer que recebeu ameaças de morte dos irmãos de PC Farias e chegou a falar sobre isso com Cláudio Vieira, secretário particular do presidente à época, e que acabou concluindo assim que o tesoureiro não agia por conta própria. "É o estilo típico do Fernando usar instrumentos. Ele não ataca de frente."


Drogas

Além de fazer acusações contra PC Farias, Pedro Collor falou um pouco da sua juventude e de seu envolvimento e de Fernando com drogas. Pedro afirmou que ele e seu irmão usavam cocaína no final da década de 1960.

"Não é que (Fernando me) induziu (a experimentar cocaína), nem apresentou nem nada. As pessoas por serem faixa etária um pouco acima, naturalmente têm mais acesso a esse tipo de coisa", disse. "Teve também LSD, umas duas ou três vezes."


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