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'A gente precisa muito de segurança', diz índio em aldeia de Dourados

'A gente precisa muito de segurança', diz índio em aldeia de Dourados

Atualizado: Segunda-feira, 13 Junho de 2011 as 1:34

Cerca de 40 policiais militares, federais e da Força Nacional ocupam a reserva indígena de Dourados, a 219 quilômetros de Campo Grande. Durante todo o domingo (12), os agentes fizeram ronda pelas aldeias.

O policiamento começou na sexta-feira (10) e segue pelos próximos quatro meses. A operação Tekoha – que em português significa 'nossa terra' – é uma tentativa de enfraquecer o tráfico de drogas no local. As duas aldeias ficam há menos de dez quilômetros de Dourados, uma das cidades do estado considerada rota do tráfico internacional.

O delegado da Polícia Federal, Antonio Carlos Moriel Sanches, explica que as reservas de Dourados diferem das outras porque, geralmente, estas são mais isoladas.

"Os índios têm menos contato com os 'não índios'. Essa proximidade com a sociedade 'não índia' arrastou para dentro da reserva de Dourados todos os tipos de criminalidade que estamos acostumados a ver dentro da cidade", detalha o delegado.

Ao todo, 12 equipes se revezam no policiamento. Para muitos dos moradores das aldeias, a presença dos policiais traz uma sensação de mais segurança ao local. Segundo o índio caiuá Jair Cabreira, é um pedido antigo da comunidade. "A gente precisa muito de segurança, a gente é muito carente na parte de segurança."

Homicídios

Em Mato Grosso do Sul, 21 índios foram assassinados só nos primeiros três meses de 2011 e mais da metade dos crimes foi em Dourados. A causa de tanta violência tem ligação com o tráfico de drogas nas aldeias. Durante as investigações, a polícia constatou pelo menos 13 pontos de vendas de drogas dentro da reserva indígena.

Operação Tekoha

Até agora, três pessoas, que são apontadas pela polícia como chefes do tráfico nas aldeias, foram presas. Drogas foram encontradas enterradas no quintal de uma casa, 14 mandados de busca e apreensão foram cumpridos e uma arma foi apreendida.

Apesar da quantidade de droga apreendida ser pequena, meio quilo, o delegado da PF de Dourados, José Antônio Franco, alerta para um outro agravante. "É importante deixar claro que, apesar da pouca quantidade de droga, foram encontradas maconha, cocaína e crack, essa droga iria se transformar em uma enorme quantidade de pequenas porções que seriam distribuídas e vendidas naqueles pontos."

Com os acusados, os agentes federais encontraram cartões de créditos, registro civil indígena, dezenas de carteiras de trabalho e até carteirinha do bolsa família. Os documentos, segundo os investigadores, serviam como moeda para os traficantes em troca da droga.

Uma equipe da Fundação Nacional do Índio (Funai) acompanha a ação dos policiais. Sociólogas vão trabalhar questões sobre drogas e bebidas alcóolicas com os jovens da aldeia.

Os índios presos na operação foram transferidos para a Penitenciária de Segurança Máxima Harry Amorim Costa, em Dourados.          

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