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'A maioria aqui é pai de família', diz comerciante de Camelódromo do Rio

'A maioria aqui é pai de família', diz comerciante de Camelódromo do Rio

Atualizado: Quarta-feira, 26 Janeiro de 2011 as 3:27

Um comerciante que não quis se identificar foi pego de surpresa com a ação policial que acontece desde o início da manhã desta quarta-feira (26) no Mercado Popular da Uruguaiana (Camelódromo), no Centro do Rio. Enquanto ligava para seus funcionários pedindo as notas fiscais dos produtos, temia perder toda a mercadoria. “A maioria aqui é pai de família, cheio de conta para pagar”, disse ele.

Um comerciante que não quis se identificar foi pego de surpresa com a ação policial que acontece desde o início da manhã desta quarta-feira (26) no Mercado Popular da Uruguaiana (Camelódromo), no Centro do Rio. Enquanto ligava para seus funcionários pedindo as notas fiscais dos produtos, temia perder toda a mercadoria. “A maioria aqui é pai de família, cheio de conta para pagar”, disse ele.

  A ação também atraiu vários frequentadores do Camelódromo. “Se aqui (Camelódromo) fosse mais caro, eu não ia ficar num calor desse para comprar alguma coisa, eu ia para um shopping, com ar-condicionado, atendimento de primeira. Mas além de lá ser muito mais caro, eu ainda gasto estacionamento, gasolina. Aqui é condição que as pessoas mais humildes têm para comprar”, se indignou um frequentador que não quis se identificar.

Fiscalização é correta, dizem frequentadoras

De acordo com a delegada Valéria de Aragão, da Delegacia de Repressão a Crimes Contra Propriedade Imaterial (DRCPIM), a operação vai durar pelo menos três dias . Além de 120 policiais civis, a ação conta ainda com 40 fiscais da Receita Federal e representantes das Associação Brasileira de Empresa de Software e Associação Antipirataria de Cinema e Música. As investigações começaram há sete meses, com policiais infiltrados.

As representantes de venda e colegas de trabalho Roberta Alves e Luciana de Freitas, que também costumam fazer compras no Camelódromo, fizeram coro com o frequentador, apesar de considerarem correta a fiscalização. “É o trabalho deles (dos policiais), eu entendo, mas muita gente fica sem emprego depois disso. Tem que ver os dois lados”, disse Roberta.

Luciana defendeu a venda de produtos piratas sob a alegação de que os valores dos originais não cabem em seu orçamento. “Eu não tenho condições de comprar o original, se eu tivesse não viria aqui. A gente entende que a polícia está certa, mas por outro lado não tem como eu pagar o preço original desses produtos”, argumentou.   Polícia chama chaveiros para abrir boxes

Até as 10h desta quarta-feira (26), segundo a delegada, somente os boxes de alimentação e de venda de ferramentas estavam funcionando. Os demais estavam fechados. Por isso, foi preciso chamar cerca de 15 chaveiros para abrir portas e vistoriar os recintos.

A polícia vai permanecer no local para identificar os comerciantes que trabalham de forma ilegal, sem documentação ou notas fiscais das mercadorias. As irregularidades serão repassadas à prefeitura, que poderá cassar o alvará de funcionamento do estande.

Segundo a delegada, todos os 1.508 boxes vão ser fiscalizados. O Camelódromo é um dos maiores mercados populares do Rio e conhecido por vender produtos pirateados por preços bem mais baixos.    

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