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"Aborto é violência contra a mulher", diz presidenciável petista Dilma Rousseff

"Aborto é violência contra a mulher", diz presidenciável petista Dilma Rousseff

Atualizado: Quarta-feira, 12 Maio de 2010 as 3:22

Para a presidenciável Dilma Rousseff, o aborto é uma ''violência contra a mulher'' e não uma ''questão de foro íntimo'', mas sim uma ''política de saúde pública''. A ex-ministra da Casa Civil foi questionada sobre o tema  na manhã desta quarta-feira (12), durante participação no programa Painel RBS, da emissora TVCOM, no Rio de Grande do Sul.

''Nesses casos que incluem gravidez risco de vida ou violência não é possível que as mulheres das classes populares usem métodos medievais [para abortar]'', disse a pré-candidata petista à Presidência da República. ''Um governo não tem de ser contra ou a favor do aborto; ele tem de ser a favor de uma política pública''.

Ao longo do programa, Dilma foi sabatinada sobre uma série de temas, incluindo o arco de alianças que daria sustentação a uma eventual gestão sua. ''O Brasil vai precisar de coalizão para ser governado, seja quem chegar à Presidência. O país tem uma realidade política que exigirá isso'', avaliou. ''Mas ela tem de se dar sempre em torno de um objetivo programático''. Ela defendeu a atuação do PT durante o escândalo do mensalão. ''A instituição Partido dos Trabalhadores não cometeu o crime, foram crimes pessoais'', disse.

A ex-ministra foi questionada ainda sobre o tamanho do Estado e o aparelhamento da máquina pública. ''Na transição do Clinton para o Bush, e depois na do Bush para o Obama, eu tive de manter contato com ocupantes dos cargos intermediarios do governo norte-americano. Todos foram alterados. Isso acontece nos Estados Unidos, na França, na Alemanha, no Reino Unido'', afirmou a petista. ''Não acho que as indicações politicas sejam fonte de corrupção, nem acho que é por causa disso que ela existe; as indicações politicas podem, devem e, se depender de mim, terão critérios técnicos''.

Mão de obra e previdência

''Eu não tenho engenheiro''. Essa, segundo a ex-ministra, foi a fala ''mais corriqueira'' nos ministérios durante a elaboração do PAC [Programa de Aceleração do Crescimento]. ''Nós começamos uma trajetória de alteração da máquina, mas isso é um processo, não sem faz de um dia para o outro'', disse.

Para a presidenciável, o governo tem de dar continuidade às políticas dos últimos anos para atingir novas metas para o País, como a universalização dos serviços de água e esgoto. ''Não se faz isso em uma gestão, mas você cria as condições para se fazer em duas, ou duas e meia. O fundamental é aproveitar o que o presidente Lula construiu e dar um salto'', argumentou.

Dilma não respondeu se vetaria o fator previdenciário, cujo fim foi aprovado pela Câmara na semana passada e encaminhado para votação ao Senado. Sem ele, tende a aumentar o valor pago ao trabalhador que pretende se aposentar por tempo de serviço junto ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social); por outro lado, aumenta o impacto nos cofres públicos. A presidenciável também se esquivou ao ser questionada se vetaria o reajuste de 7,7% aos aposentados, também aprovado pelos deputados federais.

Política externa

Ao ser indagada sobre a política externa do País, Dilma defendeu a manutenção das diretrizes traçadas pelo governo Lula caso seja eleita. ''O fundamental é o que foi introduzido na política externa nos últimos anos. Primeiro o multilateralismo, dando atenção aos nossos parceiros tradicionais, mas percebendo que o mundo está se modificando. Aí defendendo justamente nossa relação com os países latino-americanos, africanos e com a Ásia'', apontou. ''Diante da crise, tivemos um aumento expressivo das nossas exportações para a China e para a América Latina''.

A pré-candidata petista ao Palácio do Planalto também rebateu as críticas a uma suposta ''condescendência'' do Brasil com países como o Irã e a Venezuela. ''A prudência do Brasil em relação à invasão do Iraque se mostrou acertada; hoje não concordamos em transformar o Irã em uma região conflagrada por uma questão geopolítica'', afirmou.

Sobre o país presidido por Hugo Chávez, disse não acreditar que o governo brasileiro ''possa interferir nas questões internas dos outros paises da região e ser bem sucedido''. Fez uma ressalva: ''a exceção de Honduras, porque lá não houve uma eleição, e sim um golpe de Estado - nós não concordamos com a deposição de ninguém''.

Seleção brasileira

Ao fim do programa, veio a inescapável pergunta sobre a convocação da Seleção brasileira, feita pelo técnico Dunga nesta terça-feira (11).  ''Eu sou disciplinada'', disse uma sorridente Dilma. ''Eu era até a favor do Ganso e do Neymar pela alegria. Mas depois que escolheram a Seleção... eu estou na do Brasil''.

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