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Acusado de obrigar jovens a pularem de trem nega crime durante júri

Acusado de obrigar jovens a pularem de trem nega crime durante júri

Atualizado: Sexta-feira, 20 Maio de 2011 as 4:18

O acusado de obrigar dois jovens que vestiam camisetas com nomes de bandas punks a pularem de um trem em movimento, em dezembro de 2003, negou o crime durante julgamento ocorrido na tarde desta sexta-feira (20) em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Juliano Aparecido de Freitas, o Dumbão, foi interrogado por cerca de meia hora no fórum do município. “Compareci aqui com o coração aberto, sem culpa alguma”, disse ele. Por volta das 16h, o julgamento estava na fase de debates entre defesa e acusação.

O júri começou por volta das 13h desta sexta-feira. Juliano está sendo julgado pelos crimes de homicídio e tentativa de assassinato. Cleiton da Silva Leite, que na época tinha 20 anos, morreu e Flávio Augusto Nascimento Cordeiro, que estava com 16 anos, teve o braço direito decepado ao cair no vão que separa o trem da plataforma.  

Flávio e outras duas testemunhas foram ouvidos durante o julgamento. Ele estava bastante nervoso e não se recordou de alguns detalhes do dia do crime. Flávio disse que não é punk, apesar das vestimentas que usava e do cabelo moicano. “Eu nunca fui adepto da filosofia punk”, declarou. O promotor Marcelo Alexandre de Oliveira dispensou algumas testemunhas, com as ex-namoradas das vítimas.

Durante o interrogatório, Juliano afirmou que “não pertence a nenhum grupo de ideologia”. A acusação diz que ele e outros dois réus no processo são skinheads, conhecidos por pregar a discriminação contra negros, homossexuais, judeus e nordestinos. Os punks, que têm o anarquismo como ideologia, são considerados inimigos dos grupos neonazistas.

Agressão foi filmada

Além de Dumbão, Vinícius Parizatto, o Capeta, e Danilo Gimenez Ramos também são apontados pelo Ministério Público como os skinheads que atacaram os punks ainda dentro de um dos vagões. Os três são acusados de homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima) e tentativa de homicídio.

O processo contra os três réus foi desmembrado e cada um responde aos crimes em separado. Segundo o TJ-SP, a estimativa é que Parizatto seja julgado em 15 de maio de 2012. A data do júri de Ramos ainda não foi marcada. A defesa de ambos recorre da decisão da Justiça.

Os réus negam os crimes e alegam que os jovens saltaram do trem por vontade própria. O episódio ocorreu numa composição da linha E da CPTM, próximo à Estação Brás Cubas.

Os agressores foram identificados após serem reconhecidos por testemunhas. As imagens deles foram gravadas pelas câmeras de segurança da CPTM e divulgadas. O momento do salto e a queda das vítimas também foram filmados pelo sistema interno da rodovia. As cenas mostram o desespero das vítimas obrigadas a pular.

De acordo com a denúncia feita pelo Ministério Público contra os três acusados, as vítimas estavam acompanhadas de suas namoradas. Os dois jovens estavam a caminho de um shopping para jogar boliche. Os cabelos espetados com gel e camiseta de bandas punks chamaram a atenção dos skinheads.

Os “cabeças raspadas” estavam vestidos com coturnos, jaquetas e calças com detalhes militares. Além disso, estavam armados com machadinha e tchaco (instrumento de dois bastões ligados por uma corrente). Ainda segundo a Promotoria, os agressores gritaram “ou pula ou morre” para os jovens. Com medo de serem mortos dentro do vagão, os dois saltaram com o trem em movimento.        

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