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Agendamento demora, e paulistanos deixam SP para tirar passaporte

Agendamento demora, e paulistanos deixam SP para tirar passaporte

Atualizado: Terça-feira, 24 Maio de 2011 as 8:10

Administradora Luana Saldeado, de 30 anos, tirou passaporte em Barueri (Foto: Luciana Bonadio/G1)

  Com a próxima data de agendamento em postos da Polícia Federal na capital paulista disponível apenas em dois meses, alguns paulistanos têm optado por tirar o passaporte em outros municípios da Grande São Paulo. O G1 esteve em pontos de atendimento em Barueri e Guarulhos e localizou pessoas que viajam de longe em busca do documento. A PF em São Paulo diz que trabalha para reduzir o tempo de espera com iniciativas como a extensão do horário de atendimento em postos.

Atualmente, quem vai tirar passaporte espera, em média, de 65 a 90 dias para conseguir agendar a entrega de documentos na região metropolitana de São Paulo, segundos dados da PF. Em busca de uma data mais próxima, o cirurgião-dentista Mário Kawagoe, de 44 anos, saiu da Vila Mariana, na Zona Sul de São Paulo, para tirar o passaporte em um posto que fica dentro de um shopping em Barueri. “Uma amiga me indicou aqui”, disse.

Ele contou que agendou o atendimento em março, quando a previsão em alguns postos da capital paulista estava em junho. Conseguiu ser atendido nesta terça-feira (17) no município vizinho. “Eu sei que eles estão acertando para ter um passaporte seguro, mas é preciso mais agilidade”, afirmou o dentista, que tirou o dia apenas para fazer o documento.

A administradora Luana Saldeado, de 30 anos, mora no Jaraguá e contou que tinha como primeira opção de agendamento a Superintendência da PF na Lapa, Zona Oeste da capital paulista. Como não conseguiu, também optou por Barueri. “Eu tentei agendar na Lapa, mas eram mais de dois meses de espera e, aqui, duas semanas”, afirmou. Ela pretende viajar para Nova York em outubro, mas ainda não comprou a passagem porque aguarda conseguir o passaporte e o visto americano. “Eu acho que essa parte do agendamento está correta. O que eu não entendo é por que essa demora”, reclamou.

Fernando Luiz Thimoteo foi de Cotia a Guarulhos pelo documento (Foto: Luciana Bonadio/G1)

  A aposentada Elizabeth Magda Fávaro Canzi, de 57 anos, mora em São Miguel Paulista, na Zona Leste de São Paulo, e tirou o passaporte em Guarulhos. “Quando eu fui agendar, aqui tinha a data mais próxima”, contou. Segundo ela, a espera no posto de São Paulo era de mais de dois meses. “O [passaporte] anterior não tinha agendamento e nunca peguei tanta fila. Eu acho que fez um gargalo, tinha que ser mais rápido”, disse.

Para fazer o passaporte, o estudante Fernando Luiz Thimoteo, de 26 anos, viajou de Cotia para Guarulhos. Ele pretende embarcar no próximo mês para a Europa. “Tentei em Barueri, no Shopping Eldorado, no Tatuapé, na Lapa. [A diferença] era gritante. Desde fevereiro estou tentando e fui adiantando, até conseguir aqui”, contou o jovem. “Comparado com antigamente, melhorou. Mas ainda está bastante burocrático.”

Moradora de Santana, na Zona Norte de São Paulo, a securitária Fátima Callegari, de 44 anos, conseguiu um horário mais próximo no posto de Guarulhos para tirar o passaporte do filho. “Eu fiquei entrando na internet até aparecer essa vaga”, disse. A primeira opção dela era ir até o Shopping Light, no Centro de São Paulo. “O primeiro dia disponível, quando entrei, era para o final de julho."

Horas na estrada

As amigas Jeannine Persin Borges e Rita de Cássia Cadeu, ambas de 30 anos, viajaram horas para tirar o passaporte. Com passagem comprada para a Disney em setembro, elas temiam não haver tempo de conseguir o visto americano. Por isso, saíram de Santa Rita do Passa Quatro, a 248 km da capital paulista, para tirar o passaporte em Guarulhos. “É terrível. O que a gente não faz para viajar? O pior de tudo é o desgaste, o dinheiro que a gente gasta”, disse Rita.

Amigas viajaram de Santa Rita do Passa Quatro até Guarulhos para tirar o passaporte a tempo da viagem (Foto: Luciana Bonadio/G1)

  A primeira data disponível no posto da PF em Ribeirão Preto, mais próximo do município, era, segundo elas, para 25 de julho. Elas conseguiram marcar em Guarulhos para o dia 9 de maio e retornaram nesta terça-feira (17) para retirar o documento, acompanhadas dos filhos de 5 anos. As amigas calculam que gastaram cerca de R$ 850 nas duas viagens. “A gente só faz porque eles querem ir para a Disney”, comentou Jeannine.

Melhorias

O delegado Diógenes Perez de Souza, chefe de Núcleo de Passaportes da Superintendência da PF de São Paulo, responsável por oito postos de emissão na região metropolitana, disse que a demanda cresceu mais de 80% nos últimos dois anos. “Isso é um aumento expressivo e reflete na situação no agendamento. A gente tem alguns postos com agendamentos mais próximos dos 65 dias [de espera], como Lapa, Barueri e Guarulhos. Os mais distantes são Tatuapé, Eldorado e Ibirapuera”, afirmou. Atualmente, são emitidos de 1,9 mil a 2 mil passaportes por dia nos oito postos.

Engenheiro encontrou a vaga mais próxima para agendamento na Superintendência da PF de SP (Foto: Letícia Macedo/ G1)

  O engenheiro Cássio Saltuori, de 39 anos, afirmou que teve de esperar quase dois meses para tirar o documento na Superintendência da PF de São Paulo. “Eu emiti o meu protocolo no dia 31 de março e só consegui agendar para entregar os documentos para o dia 19 de maio aqui neste posto da PF”, afirmou nesta sexta (20). Saltuori não tem nenhuma viagem prevista, mas a demora para renovar o passaporte poderia ter causado transtornos. “Trabalho em uma multinacional e estou há quase um mês com o passaporte vencido. Existe sempre a possibilidade de viajar na última hora. Se isso acontecesse, eu ficaria impossibilitado”, disse.

Para melhorar a situação, o atendimento foi estendido na Superintendência da Lapa - para 14 horas ao dia, de segunda a sexta-feira - e no Shopping Light. Ainda na Lapa, onde são emitidos de 950 a mil passaportes ao dia, a PF iniciará uma reforma para melhorar a estrutura da área de atendimento. “A gente está buscando soluções para que consiga trazer o agendamento para níveis adequados. Essa extensão de horário vai refletir no agendamento muito em breve”, afirmou Souza. O menor tempo já alcançado foi em 2009, segundo o delegado, quando a espera era de apenas um ou dois dias.          

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