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Agentes suspeitos de tortura serão afastados de suas funções na polícia

Agentes suspeitos de tortura serão afastados de suas funções na polícia

Atualizado: Sexta-feira, 1 Abril de 2011 as 1:29

A chefe de Polícia Civil do Rio, Martha Rocha, recomendou nesta sexta (1°) à corregedoria da Polícia Civil que os policiais da 10ª DP (Botafogo), suspeitos de torturar um funcionário de um ferro-velho, sejam afastados de suas tarefas. Segundo a polícia, o corregedor interno da Polícia Civil, delegado Gilson Emiliano irá emitir um relatório preliminar para que os suspeitos sejam “removidos por conveniência disciplinar".

A denúncia aconteceu na semana passada, quando o funcionário afirmou que sofreu agressões físicas para confessar que o chefe fazia parte de uma quadrilha que rouba carros em Botafogo, na Zona Sul do Rio.

Seis policiais são investigados por envolvimento na tortura. A assessoria de imprensa da polícia informou que ainda não está definido se todos os policiais investigados serão afastados de suas tarefas, já que, a vítima teria reconhecido, por foto, cinco dos seis policiais que estariam na sala no momento da tortura. O funcionário do ferro-velho afirma ainda que três agentes fizeram as agressões. Segundo a Polícia Civil informou ainda que até o fim da tarde desta sexta deve ser decidida a permanência  do delegado titular da 10ª DP, delegado José Alberto Pires Lage. O G1 entrou em contato com o delegado, que informou que não iria comentar o assunto.

Como foi

Após denunciar ter sido vítima de tortura dentro da 10ª DP, a suposta vítima afirmou, nesta quinta-feira (31), que foi agredido pelos policiais durante, pelo menos, três horas numa sala. Segundo o rapaz, que é funcionário de um ferro-velho na Região dos Lagos, policiais queriam forçá-lo a dizer que o dono do estabelecimento comercial tinha envolvimento com assaltantes de carros que agiam em Botafogo e foram presos. Ainda segundo a vítima, eles usaram métodos violentos.

“Me agrediram, me bateram, socos na barriga, tapa na cara, dois batendo na minha cara. Aí chegou um policial e mandou eu tirar a roupa: 'tira a roupa, fica pelado!'. O policial foi em cima do armário e pegou o alicate e foi no meu pênis e pegou e apertou, aí eu comecei a gritar”, contou.

Corregedoria investiga o caso

Segundo o delegado Gilson Emiliano, corregedor geral da Polícia Civil, a vítima contou que foi levada à 10ª DP (Botafogo) por agentes da delegacia para tentar reconhecer dois suspeitos presos. De acordo com a denúncia, o caso teria ocorrido no dia 24 de março.

No dia seguinte à prisão, o rapaz procurou a corregedoria e denunciou o caso. O exame de corpo de delito comprova que a vítima sofreu lesão no órgão genital e na mão. Ainda segundo a polícia, o homem identificou um alicate encontrado na delegacia que teria sido utilizado para as agressões. A ferramenta foi encaminhada para perícia no Instituto Médico Legal (IML). A vítima identificou três policiais que teriam participado das agressões. Além deles, outros três agentes que estavam de plantão prestaram depoimento nesta tarde na Corregedoria. Segundo a Corregedoria, se ficar comprovado o envolvimento dos policiais civis na agressão e na tortura, eles poderão ser expulsos da corporação.

Penas variam de dois a oito anos de prisão

Ainda de acordo com a Corregedoria da Polícia Civil, as penas para o crime de tortura variam entre dois e oito anos de prisão. A chefe de polícia afirmou que toda vez que houver esse tipo de comportamento de policiais civis, ela recomendará que se trabalhe com eficiência.

“Eu quero deixar muito claro a nossa transparência e o nosso compromisso de agir de acordo com a lei. Nós seremos sempre eficientes, rápidos e transparentes”, disse Martha Rocha.      

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