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Agroquímicos: Brasil deve se tornar principal mercado em dois anos

Agroquímicos: Brasil deve se tornar principal mercado em dois anos

Atualizado: Segunda-feira, 23 Agosto de 2010 as 2:13

O Brasil deve se tornar o país mais importante no mercado de agroquímicos nos próximos dois anos, superando os Estados Unidos, cujo consumo está em torno US$ 7 bilhões, em média, por ano. A avaliação é do presidente para América Latina da multinacional Nufarm Indústria Química, Valdemar Fischer. Para ele, a combinação de área plantada, cotações das commodities e câmbio devem garantir o crescimento do setor no período no Brasil. Fischer considera que o cenário de volatilidade dos preços no mercado internacional tende a se repetir nos próximos anos.

"Essa é uma tendência que será preciso se acostumar." Ele ressalta que o produtor precisará de garantias para os preços futuros a fim de realizar investimentos de longo prazo. No cenário previsto pelo executivo, o crescimento da produção agrícola em novas áreas será limitado pelas questões ambientais, mas o investimento em tecnologia por hectare será maior. Segundo dados mais recentes da FAO, apresentados pelo executivo, o Brasil investia US$ 70 por hectare em 2004 e saltou para US$ 87 por hectare em 2007.

A FAO mostra que o investimento brasileiro ainda é menor do que na União Europeia. A França, por exemplo, investia US$ 196 por hectare em 2007. No entanto, o desempenho brasileiro já supera os EUA, que era de US$ 58 por hectare, e a Argentina, que investia US$ 44 por hectare há três anos. Produtor Valdemar Fischer observa que os preços recebidos em 2010/11 ainda não estão tão elevados quanto em 2009/10, mas proporcionam rentabilidade para o produtor brasileiro, o que resulta em perspectiva de crescimento na aplicação de tecnologias.

Ele estima que a indústria de defensivos no Brasil pode expandir de 4% a 5% este ano, sobre o faturamento de US$ 6,6 bilhões registrados em 2009. Com isso, o País retornaria à marca registrada em 2008, que foi de US$ 7 bilhões, quando ultrapassou o mercado americano. O presidente da Syngenta Proteção de Cultivos América Latina, Antonio Carlos Guimarães, comenta que a perspectiva é positiva para o mercado brasileiro e que a indústria terá condições de atender a essa crescente demanda. Isso porque, segundo ele, a forte alta de preço das commodities agrícolas em 2008 motivou a indústria global a construir novas plantas.

"Em 2008, o mercado ficou subofertado, mas com as novas plantas a capacidade de produção hoje é maior do que a demanda." Os dois executivos participam nesta manhã do seminário Crop World, em São Paulo, para discutir novas estratégias do setor de fertilizantes e defensivos na América do Sul. O diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher, realizará palestra sobre os desafios no mercado brasileiro de agroquímicos.  

Postado por: Thatiane de Souza

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