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Alckmin defende manutenção de curso de obstetrícia na USP Leste

Alckmin defende manutenção de curso de obstetrícia na USP Leste

Atualizado: Quarta-feira, 23 Março de 2011 as 2:21

Estudantes do curso de obstetrícia da USP Leste, ameaçado de fechamento, fizeram um protesto na manhã desta quarta-feira (23) em frente a uma companhia da Polícia Militar em Ermelino Matarazzo, em São Paulo, durante um evento com a presença do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Elas estavam com uma faixa com os dizeres “O fim da obstetrícia é o início do fim da USP Leste”. O governador foi ao local para assinar convênio que permite à PM registrar boletins de ocorrência.     Durante o evento, o governador comentou o assunto. “Houve um problema com o Coren. Embora seja um assunto afeito à universidade, vamos ajudar. Eu vejo que a modernidade são equipes multiprofissionais, não precisa tudo ser feito pelo médico. Sou totalmente favorável [à manutenção do curso]”, disse Alckmin.

Ao G1 , estudantes mostraram preocupação com uma possível fusão com o curso de enfermagem. "Com toda a certeza os alunos de obstetrícia são desfavoráveis à fusão do curso com enfermagem. Isto seria um retrocesso, visto que voltaríamos ao que aconteceu quando o curso de obstetrícia existiu no Brasil", disse por e-mail Priscila Tavares, aluna do 7º semestre do curso de obstetrícia.

"A fusão transformaria nosso curso de graduação em obstetrícia em um curso de especialização, e hoje nossa formação que tem duração de 4anos e meio em período integral, passaria para no máximo, 1 ano e meio. Isso faria com que nós perdessemos as disciplinas que norteiam nosso atendimento e nossa visão sobre a assistência humanizada", disseram em e-mail as estudantes de obstetrícia Mariana De Gea Gervasio, Laís Akemi Morimoto, Glauce Soares e Thais Peloggia Cursino.

A direção da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (EACH-USP), mais conhecida como USP Leste, vai reunir alunos e formados no curso de obstetrícia na próxima segunda-feira (28) na sede do Conselho Regional de Enfermagem (Coren-SP), na Bela Vista. A intenção é buscar alternativas para o curso que corre o risco de ser fechado. Um relatório elaborado por um grupo de trabalho que cuida de revisão e remanejamento de vagas concluiu que a USP Leste deveria fechar 330 vagas do vestibular, e que o curso de obstetrícia (o único no país) deveria se fundir com o de enfermagem.     A decisão provocou revolta dos alunos de obstetrícia. Desde a criação do curso, em 2005, junto com a inauguração do campus da USP na Zona Leste de São Paulo, os alunos de obstetrícia enfrentam dificuldades para o reconhecimento de sua formação profissional. Os formandos precisam de uma certificação especial dos conselhos de enfermagem para exercer a profissão, e muitas vezes só obtêm este registro com ações judiciais.

Em comunicado, a direção da universidade diz que “a avaliação permanente da graduação e a revisão dos cursos da EACH é absolutamente natural, indo de encontro às demandas sociais, científicas e tecnológicas da sociedade”. “A principal preocupação é com os egressos e com os alunos que estão cursando Obstetrícia. Se for necessária outra reformulação do curso, ela será feita”, afirmou Telma Zorn, pró-reitora de graduação.

Os alunos temem a extinção do curso de obstetrícia. Em comunicado que busca angariar assinaturas contra a extinção , os alunos destacam que “a formação específica de Obstetrícia capacita os profissionais para praticar uma atenção individualizada à mulher e à família, compreendendo-a em seus processos de gestação, parto e amamentação como fisiológico, mas também e igualmente importantes, como processos emocionais, sociais, culturais, espirituais e como sementes para um mundo melhor”.      

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