MENU

Anac quer "selo de conforto" para poltronas de aviões

Anac quer "selo de conforto" para poltronas de aviões

Atualizado: Segunda-feira, 31 Agosto de 2009 as 12

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) pretende criar um selo de conforto das poltronas dos aviões brasileiros. A proposta está em audiência pública, e a população pode dar sugestões até 18 de setembro.

Segundo o órgão, o objetivo é informar melhor todos os passageiros. "Quem viaja com frequência já sabe, por experiência, quais são as poltronas mais espaçosas. Mas o número de passageiros está aumentando no Brasil, e essas pessoas que estão começando a voar agora têm o direito de ter as mesmas informações que os outros", afirma o superintendente de segurança operacional da Anac, Carlos Eduardo Pellegrino.

O projeto foi baseado no Selo Procel de Economia Energética, segundo Pellegrino. "O selo do Procel é simples e passa a mensagem de uma forma eficiente. Queríamos fazer algo na mesma linha", afirma Pellegrino.

Para ter o selo Procel, as empresas precisam colocar a Etiqueta Nacional de Conservação de Energia, com informações sobre o consumo energético, em seus produtos.

A proposta da Anac deve funcionar da mesma maneira: para receber o selo, as companhias aéreas deverão colocar uma etiqueta na aeronave, com informações sobre a distância entre uma poltrona e a da frente.

As categorias são: A (maiores ou iguais a 76 cm), B (de 73,5 cm a 75,9 cm), C (de 71 cm a 73,4 cm), D (de 68,5 cm a 70,9 cm) e E (de 66 cm a 68,4 cm). Elas foram definidas a partir de um estudo que coletou dados sobre as poltronas oferecidas pelas duas principais companhias aéreas brasileiras e informações sobre o tamanho das pernas de 5.305 passageiros homens, de 15 a 87 anos, em 20 aeroportos.

Segundo a pesquisa, dos 22 modelos de assentos de aviões disponíveis, 17 seriam adequados a 95% dos passageiros.

Adesão

Assim como no Procel, a adesão das empresas ao selo da Anac será voluntária. "Não temos como, nem queremos, obrigar as companhias a aderir. Mas esperamos que elas participem", afirma Pellegrino.

Quem aderir à iniciativa terá que colocar a etiqueta nas aeronaves e também nos sistemas de compras e reservas de passagem. O G1 procurou as duas maiores empresas do setor no Brasil, a TAM e a Gol, mas elas não quiseram comentar se vão aderir à iniciativa, nem informaram sobre o tamanho de suas poltronas.

O selo se refere apenas à distância entre as poltronas, medida do ponto de fixação de um assento na aeronave até o ponto de fixação do que está a sua frente. Segundo Pellegrino, a largura das poltronas não pode ser alterada sem mudar o design das poltronas e todo o interior dos aviões.

De acordo com a pesquisa, o padrão de largura dos assentos no Brasil é de 45 cm, e 70% dos passageiros têm ombros mais largos que isso.

Saúde

Ao contrário do que a pesquisa da Anac afirma, o médico especialista em aviação Amaury Monteiro Simoni acredita que "não existe" poltrona confortável nas classes econômicas dos aviões brasileiros.

"Não conheço nenhuma classe econômica em que você sente e se sinta confortável", afirma ele, que já trabalhou como coordenador do serviço de emergência médica do Aeroporto Internacional de Viracopos e hoje faz parte da diretoria da Sociedade Brasileira de Medicina Aeroespacial.

Simoni explica que poltronas apertadas não são apenas desconfortáveis, mas fazem mal à saúde. "A distância está longe do ideal, porque deixa a perna em uma posição muito ruim, que impede o retorno do sangue para cima", explica. "Em uma viagem curta, de São Paulo ao Rio de Janeiro, por exemplo, não tem muito problema. Mas em uma viagem longa, de oito, dez, 12 horas, é terrível para o corpo".

O médico também diz não esperar que o selo funcione como forma de "pressionar" as companhias aéreas a fazer assentos mais confortáveis. Isso por que, segundo ele, os passageiros tendem a priorizar o preço da passagem na hora de escolher uma empresa, não os serviços ou o conforto.

"As pessoas sempre reclamam do atendimento nas companhias aéreas, mas sempre escolhem o preço mais baixo. E conforto custa mais caro", afirma.

O diretor da Anac concorda com a avaliação. "Acredito que as coisas podem mudar se os consumidores passarem a preferir companhias com poltronas melhores, mas isso é improvável. A maioria dos passageiros brasileiros leva mais em conta o preço", afirma. "Nosso objetivo é simplesmente dar mais informações para que o consumidor possa tomar uma decisão mais embasada", afirma.

veja também