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Após 3 horas de depoimento, pichador do Cristo é liberado

Após 3 horas de depoimento, pichador do Cristo é liberado

Atualizado: Quinta-feira, 22 Abril de 2010 as 12

Depois pouco mais de três horas de depoimento na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), o pintor de paredes Paulo Souza dos Santos, de 28 anos, que confessou ter pichado a estátua do Cristo Redentor, foi liberado, nesta quinta-feira, dia 22, e agora aguarda decisão da Justiça.

"Ele está sendo indiciado, o que não impede a Justiça de emitir a prisão a qualquer momento. Pelos delitos que colhemos até aqui, a pena seria a prestação de serviços comunitários. Mas agora cabe à Justiça", declarou a delegada titular da DPMA, Juliana Emerique.

Ao deixar a delegacia, Paulo afirmou que esta não foi a primeira vez que ele pichou na sua vida. "Na minha adolescência, época de moleque, tinha rabiscado linha de trem, mas nada sério. Depois segui a carreira militar e parei com isso. Só quis fazer um protesto, sei que estou errado e peço mais uma vez desculpas à população", declarou ele.

A delegada ressaltou que, por ter sido um caso de repercussão mundial, a Justiça deverá ter "uma resposta o mais rápido possível". Paulo, segundo ela, colaborou fornecendo muitos detalhes no depoimento.

Crimes

De acordo a delegada, ele foi indiciado por dois delitos: injúria por preconceito, por atentar contra um monumento religioso (pena de 1 a 4 anos de prisão, além de multa); e crime ambiental, pelo ato de pichar (de 6 meses a 1 ano de prisão, além de multa).

Mais cedo, em um intervalo do depoimento, a delegada havia afirmado que seria possível incluir ainda o crime de formação de quadrilha. Ao fim do testemunho, Emerique descartou essa hipótese. "Crime de formação de quadrilha está descartado. Ele afirma que foi ao Cristo apenas acompanhado de um amigo, que já se prontificou a se apresentar na delegacia".

O segundo acusado, Edmar Batista de Carvalho, também procurou a Assembléia de Deus dos últimos Dias (Adud) e, de acordo com o advogado da igreja, Alexandre Braga, vai se apresentar à polícia até a próxima segunda-feira (26).

Assinaturas identificadas

A delegada afirmou ainda que a DPMA já trabalha com um arquivo de grupo de pichadores. "Através desse arquivo podemos identificar as assinaturas dos envolvidos", disse ela.

A assinatura feita por Paulo é "Aids". Essa inscrição, segundo a delegada, também foi encontrada no túmulo do jornalista Irineu Marinho. As outras assinaturas identificadas no Cristo eram "LBU" e "Zabo". Esta última seria o apelido de Edmar Batista Carvalho. A outra pertence a um grupo de pichadores ou apenas de uma pessoa.

"Temos inquérito de grupos de pichadores em outras circunstâncias. Foi detectado que túmulos também tinham essa escritura Aids, mas ele (Paulo) nega e alega que outras pessoas podem pichar esse nome", disse a delegada.

Outro túmulo que também recebeu a pichação com uma dessas inscrições foi o do apresentador Chacrinha.

Réu confesso

Na noite de quarta (21), ele havia confessado o crime. Ele admitiu que não esperava que isso fosse causar tanta repercussão, ao lado do pastor Marcos, a quem procurou para pedir apoio.

"De repente acordei e me senti um traficante, procurado, criminoso. Sou trabalhador, chefe de família, não esperava isso. Sei que estou errado. Pedi perdão à Deus e quero pedir também a todas as pessoas. Não tenho preconceito contra nenhuma religião e nem sou racista", diz.

Morador de Santa Cruz, na Zona Oeste, Paulo é casado, pai de um filho de 4 anos. A mulher do ex-soldado do Exército está grávida de quatro meses. Segundo ele, sua família ficou indignada quando soube que ele era o autor da pichação.

Sem querer comprometer o outro rapaz que teria participado da pichação - "Eu respondo por mim" -, Paulo não sabe explicar bem por que pichou as frases "Onde está a engenheira Patrícia" e "Quando os gatos saem os ratos fazem a festa" deixadas no monumento.

"Foi só um protesto para alertar sobre pessoas desaparecidas", tenta justificar. O outro suspeito foi identificado pela polícia como Edmar Batista de Carvalho, de 26 anos.

"Pensei em colocar uma faixa, só depois resolvi fazer a pichação com o spray que estava comigo", contou o pintor. No entanto, admite que, quando viu as câmeras de seguranças – não sabia que estavam desligadas - cobriu o rosto com a camisa antes de subir nos andaimes das obras de reforma da estátua.

O advogado Alexandre Magalhães, que acompanhou as declarações do pintor ao lado do pastor Marcos e do cantor Waguinho, integrante da Igreja Assembleia dos Últimos Dias, espera que ele responda pelas acusações em liberdade.

"Ele está disposto a se apresentar e contar toda a verdade. É trabalhador e tem residência fixa. Além disso, não tem passagem pela polícia", disse o advogado.

Por: Carolina Lauriano

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