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Após 5 dias de guerra de facções, PM do Rio ocupa Madureira

Após 5 dias de guerra de facções, PM do Rio ocupa Madureira

Atualizado: Quarta-feira, 13 Outubro de 2010 as 8:28

Depois de cinco dias de guerra entre facções rivais pelo controle dos pontos de venda de drogas no Morro da Serrinha e comunidades vizinhas, em Madureira, mais de 100 policiais militares ocuparam a região. Houve confronto e três homens morreram. Quatro fuzis, uma metralhadora, granadas e munição foram apreendidas.

Segundo o comandante do 41º BPM (Irajá), tenente-coronel Alexandre Fontenelle, apesar de a disputa entre as quadrilhas ter começado quinta-feira, só na tarde de segunda-feira a PM teve a confirmação da invasão de bandidos ligados ao Comando Vermelho.

"Estávamos aguardando a hora certa para agir. Não poderíamos colocar a vida dos moradores em risco. Agora, não vamos sair daqui até que tudo esteja tranquilo. Se houve essa história de que moradores foram expulsos, essas pessoas já podem voltar para casa", afirmou.

Mais de 100 PMs de sete batalhões, entre eles o de Operações Especiais (Bope), entraram no morro do São José da Pedra por volta das 5h. Durante oito horas de operação, a Rua Iguaçu - que liga Madureira à Cascadura - foi fechada por causa do confronto e só foi reaberta às 13h. Moradores evitaram sair de casa. Quem estava fora não pôde voltar.

Entre os mortos, há dois integrantes do bando invasor, conhecidos como Magrinho e Maruí, que usava uma prótese no braço. Segundo a PM, o criminoso teve o membro cortado há cinco anos durante outra disputa pelo controle da Serrinha. A terceira vítima foi Janderson de Souza Roza, 21 anos, o Jamaica, encontrado dentro de um carrinho de mão deixado na Avenida Ministro Edgar Romero, a principal do bairro.

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, explicou que a ocupação só ocorreu ontem porque a incursão foi planejada com base em informações: "Era um clamor da população, mas a gente tem que agir com planejamento. Não adianta ir no calor da emoção. Entramos no momento que achamos que deveríamos fazer, para procurar desarmar os bandidos e acalmar os ânimos".

Arsenal

Nas armas recolhidas pela PM, havia inscrições 'Penha' e 'Chapadão', áreas dominadas pelo CV. A apreensão reforça as informações do Serviço de Inteligência da Polícia Civil de que Fabiano Atanázio da Silva, o FB, chefe do tráfico do Complexo da Penha, teria emprestado as armas para o ataque. Entre os invasores, haveria bandidos refugiados de favelas onde hoje há Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs).

Segundo investigadores, FB teria ordenado que Valmir Bernardo da Silva, o Parazão - expulso da Serrinha -, comandasse a retomada das favelas de Madureira. O ataque teria partido do Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, de onde os bandidos seguiram pela mata para promover a invasão.

Moradores torcem para que a polícia não deixe o local, já que, segundo eles, a maioria dos criminosos se escondeu nas casas de moradores. Há denúncias de que os invasores teriam até estuprado garotas da comunidade. "Cinco bandidos pegaram minha irmã, de 14 anos, e levaram para o alto da favela. Levaram mais meninas também. Quando a polícia chegou, ele se esconderam nas casas", contou uma jovem. A guerra na região cancelou a tradicional festa de Dia das Crianças, que, com apoio de moradores e comerciantes, daria presentes a 3 mil meninos e meninas.    

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