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Após 5 horas, termina reconstituição da morte de garoto em escola

Após 5 horas, termina reconstituição da morte de garoto em escola

Atualizado: Terça-feira, 5 Abril de 2011 as 5:27

Após cinco horas, terminou na tarde desta terça-feira (5) a reconstituição da morte de Miguel Cestari Ricci, de 9 anos, atingido por um disparo em uma sala de aula do Colégio Adventista de Embu, na Grande São Paulo, em 29 de setembro de 2010. Participaram da reconstituição oito alunos, entre eles o suspeito de ter efetuado o disparo, além de professores, monitores e o tesoureiro da escola. Os trabalhos começaram às 11h20 e foram concluídos por volta das 16h20.

Como o caso está em segredo de Justiça, nem a escola nem a polícia falaram a respeito da reconstituição. O advogado da família de Miguel, Ademar Gomes, disse que apenas uma criança viu o momento em que o menino entrou na sala de aula seguido por um colega, que teria levado a arma do pai para a escola com o intuito de mostrá-la aos outros alunos. Essa testemunha estava no bebedouro e o restante da turma, no pátio.     As professoras disseram, ainda segundo o advogado, que voltaram à cena do crime poucos instantes após o disparo, mas não relataram ter visto nenhuma criança deixando a sala de aula. Ademar Gomes descarta a omissão de socorro em relação à escola. “Os funcionários, no desespero, o colocaram no carro. Eles acharam que demoraria mais a ambulância chegar”, disse. O advogado não descarta que o pai do menino que teria disparado seja responsabilizado. “O pai seria responsabilizado por um crime culposo [sem intenção], não doloso.”

Gomes afirmou que ninguém da escola deve responder pela morte. Segundo ele, no entanto, a família entrará com um pedido de indenização contra o colégio por danos morais e materiais. A mãe de Miguel, a dona de casa Roberta Ricci, gostaria de ter acompanhado a reconstituição, mas não recebeu autorização.

Guarda de menino

O advogado da família de Miguel afirmou que os pais do menino que supostamente fez o disparo podem perder a guarda da criança. Ademar Gomes disse que teve conhecimento há uma semana do ofício feito pelo delegado que conduz o inquérito, Carlos Eduardo Vieira Ceroni, enviado à Vara da Infância e da Juventude de Embu pedindo a destituição da guarda. O caso ainda está em análise. Procurados, a Secretaria da Segurança Pública e o Tribunal de Justiça disseram que não irão se manifestar porque o caso corre em segredo de Justiça.

Na cópia do ofício distribuída pela acusação, o delegado alega que a família do menino que teria disparado contra Miguel não estaria dando uma educação adequada à criança. Segundo o documento, que data de outubro de 2010, há relatos de que os pais não compareciam às reuniões escolares e não respondiam aos recados deixados na agenda do menino.

“Represento ainda pela suspensão do poder familiar dos pais em relação à criança em razão do grave descumprimento dos deveres a eles inerentes, o que caracteriza abuso do poder familiar”, diz o texto enviado por Ceroni, da Delegacia Seccional de Taboão da Serra, e apresentado pelo advogado Ademar Gomes.

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