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Após 6 horas, manifestantes deixam o congresso após protestos

Após 6 horas, manifestantes deixam o congresso após protestos

Atualizado: Terça-feira, 18 Junho de 2013 as 6:38

ocupaçao no congresso
Cercados pela tropa de choque da Polícia Militar, os últimos manifestantes que ainda se concentravam na entrada do Congresso Nacional se dispersaram por volta das 23h45 desta segunda-feira (17). A mobilização diante do prédio do Legislativo, que chegou a atrair 10 mil pessoas, de acordo com o comando da Polícia Militar, durou quase seis horas.  
O protesto pacífico foi marcado por críticas a autoridades da República e atos isolados de vandalismo. A polícia, criticada pela ação nos protestos do último sábado, na abertura da Copa das Confederações, desta vez evitou reagir a provocações. As tentativas de invadir o Congresso foram contidas, no máximo, com spray de pimenta.
 
Um dos momentos mais tensos da noite foi quando dezenas de manifestantes furaram o cerco da polícia e invadiram a cobertura do prédio do Legislativo. Os jovens se aglomeraram na marquise do edifício para entoar gritos de ordem e estender faixas que protestavam contra os investimentos na saúde e na educação. De acordo com a PM, dois manifestantes foram presos.
 
Os milhares de jovens que atenderam à convocação, organizada pelas redes sociais, tomaram os gramados do Congresso pouco antes das 18h, depois de cruzarem parte do Eixo Monumental, uma das principais vias de Brasília.
Eles correram em direção às sedes da Câmara e do Senado, mas um contingente de policiais militares e agentes da Polícia Legislativa já guarnecia o edifício. À distância, integrantes da cavalaria da PM observavam o protesto.
Outro momento conturbado da manifestação ocorreu quando o diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, passou ao lado dos manifestantes para averiguar se o Batalhão de Choque da PM chegaria a tempo de conter uma eventual invasão. Quando os jovens perceberam que se tratava de um alto funcionário do Congresso, começaram a hostilizar Sampaio.
Manifestantes mais exaltados cuspiram e tentaram empurrar o diretor-geral. “Foi uma ideia infeliz. Teve um momento que pensei que seria difícil conseguir voltar [ao Congresso]. O pior foram as cusparadas”, afirmou Sampaio.
Durante os protestos, um vidro do gabinete da 1ª vice-presidência da Câmara foi quebrado com uma pedra. Apesar disso, a direção da Câmara estava satisfeita por não ter havido mais danos à estrutura do Congresso.
 
Tema dos protestos
Ao longo das quase seis horas de manifestação, os jovens entoaram palavras de ordem sobre temas variados e demonstraram que o protesto era suprapartidário. Entre os alvos está a PEC 37, que limita o poder de investigação do Ministério Público e tramita na Câmara.
Os manifestantes também criticaram a presidente Dilma Rousseff e o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e pediram a saída do presidente do Senado, Renan Calheiros, e do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara.
 
A elevação da tarifa de ônibus em São Paulo também foi motivo para os protestos, assim como os gastos com a Copa das Confederações. Às 20h50, três manifestantes foram levados para dentro do Congresso para negociar com a Polícia Legislativa. Quem conduziu a conversa foi Paulo de Tarso, representante da Polícia Legislativa.
O jovem Pedro Henrichs, de 27 anos, disse que faria uma lista de pedidos e estabeleceu três prioridades: punição aos policiais que agrediram manifestantes em São Paulo, a abertura na Câmara de um procedimento de investigação de abusos por parte da polícia, e garantia de liberdade de manifestação.
 
Outro jovem chamado a negociar pediu uma "posição do governo" em relação à PEC 37 e uma reunião com deputados do DF e de cada estado da federação.
 
O representante da Polícia Legislativa disse que entregaria as demandas aos parlamentares e pediu que os jovens negociassem a saída dos manifestantes da porta da Câmara. No entanto, o protesto continuou, assim como a pressão pela ocupação do Congresso.
 
O presidente em exercício da Câmara, deputado André Vargas, afirmou que a falta de liderança e de uma pauta específica de reivindicação dificultaram as negociações.
“Ocorre que não é um movimento que tenha líderes e uma pauta de negociação. Se tivesse, é claro que ouviríamos porque essa é a casa da negociação. Não podemos infelizmente dialogar porque não dá para negociar com uma massa”, declarou.
 

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