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Após assaltos, polícia decide reforçar segurança de shoppings no Natal

Após assaltos, polícia decide reforçar segurança de shoppings no Natal

Atualizado: Quarta-feira, 20 Outubro de 2010 as 9:43

Após uma crescente onda de assaltos a shoppings neste ano na capital paulista, a Polícia Civil quer reforçar a segurança desses centros de compras nas semanas que antecederão às compras de Natal. Um acordo entre a associação que representa os lojistas e o Departamento de Investigações Sobre Crime Organizado (Deic) prevê que carros caracterizados da polícia fiquem estacionados em frente às entradas dos principais shoppings nos dias de maior movimento de consumidores.

O plano foi firmado no final de setembro durante um fórum sobre segurança em shoppings. Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop) e a Secretaria da Segurança Pública do estado de São Paulo o encontro ocorreu no último dia 29. Dentre os presentes, estavam o presidente da entidade que defende os shoppings, Nabil Sahyon, e o delegado José Antonio do Nascimento, da Divisão de Crimes contra o Patrimônio do Deic.

De acordo com a Alshop e a polícia, o objetivo é melhorar a segurança no entorno dos shoppings. Para isso, deverão ser disponibilizados carros com os logos além de policiais fortemente armados para intimidar mesmo, e até amedrontar, o assaltante para que ele pense muito antes de entrar armado no estabelecimento comercial com a intenção de cometer algum crime.

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Shoppings dizem gastar mais com segurança e planejam criar comitê Segundo o presidente da Alshop, Nabil Sahyoun, a medida também visa brecar a série de 13 assaltos a shoppings desde janeiro. O último roubo ocorreu no domingo (17) no Shopping Center Norte, Zona Norte de São Paulo. Na ocasião, uma loja teve as vitrines quebradas e bijuterias levadas por três criminosos armados. Houve tiroteio dentro do local e pânico entre os clientes, que resultou num segurança baleado e ferido.

Os assaltantes fugiram e ainda levaram o carro de um cliente que passava pela rua. Esses ataques aos shoppings também mostram uma nova tendência de roubo: o de joalherias. De acordo com o presidente da Alshop, o “bandido” que roubava bancos passou agora a assaltar lojas de joias de shoppings, principalmente os de alto padrão e de luxo.

“As lojas de marcas caras estão nos shoppings. Elas chamam a atenção da bandidagem porque estão concentradas em shoppings onde a segurança não é armada. Isso facilita a entrada do assaltante, que saberá que não haverá reação. É diferente de um banco, onde tem segurança armada e pode haver troca de tiros. Não defendo o armamento dentro do shopping. A pior coisa dentro de um empreendimento é tiroteio. A principal preocupação é com a segurança do cliente. Por isso é preferível se pecar na questão de armamento”, afirmou Sahyoun ao G1 . Apesar disso, funcionários de lojas informaram que policiais armados também estão fazendo bicos de segurança dentro dos shoppings. Eles ficam à paisana.

Para policiais civis do Deic ouvidos pela reportagem, outros fatores também contribuem para o ingresso do criminoso no shopping. São eles: fácil rota de fuga pelo fato de que o assaltante, após praticar o roubo, pode se misturar com os frequentadores do local; vias de escape formadas por grandes avenidas ou marginais, como no caso dos shoppings Morumbi e Cidade Jardim, próximos a Marginal Pinheiros.

Segundo Sahyon, adotar medidas mais duras como colocar detectores de metal nas entradas dos shoppings ou revistar algum suspeito dentro do estabelecimento são inviáveis. “Detector de metal é para banco. Em shopping, devido ao grande número de pessoas, iria ser constrangedor e demorado. Revistar? Isso é para polícia. Nossos seguranças não têm poder de polícia.”

Prevenção

A solução para o presidente da Alshop está na prevenção. “É preciso melhorar a tecnologia da segurança, por meio de câmeras de monitoramento mais eficientes e principalmente melhorar a identificação do suspeito com a ajuda de ex-policiais. Já temos shoppings que contrataram homens que foram policiais e hoje trazem a experiência das ruas para saber quem tem comportamento suspeito e quem não tem.”

A crescente onda de roubos aos shoppings obrigou alguns centros de compras a radicalizar e adotar guaritas e carros de segurança blindados na frente desses locais. Alguns shoppings da Zona Sul já colocaram em prática essa estrutura após terem sido alvos de roubos.

O luxuoso Cidade Jardim, por exemplo, teve a loja da Rolex, especializada em relógios para pessoas de alto poder aquisitivo, assaltada. Com shoppings desse porte, o investimento em segurança também tem de ser compatível.

“Neste ano, cerca de 40 dos 60 shoppings da capital gastaram juntos cerca de R$ 120 milhões em segurança”, afirmou Sahyon. “Quem paga a conta são os lojistas. É feito um rateio.”

Vinte pessoas já foram presas suspeitas de participar de assaltos a lojas de shoppings em todo o estado neste ano. Outras 11 foram identificadas, mas ainda não foram presas.

Os períodos mais críticos para ocorrer um roubo em shopping, segundo levantamento da Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, são nos períodos da manhã, quando os shoppings abrem, e da noite, quando encerra o expediente das lojas, por volta das 22h.

Portanto, quando o cliente for aos shoppings paulistanos, não deverá encontrar somente enfeites natalinos na entrada. Para cada papai-noel que vir, talvez veja também dois a três policiais civis.

  Kleber Tomaz Do G1 SP

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