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Após desocupação, sem-teto prometem acampar no Centro de São Paulo

Sem resistência, sem-teto deixam prédio no centro de SP

Atualizado: Quinta-feira, 2 Fevereiro de 2012 as 9:51

Os cerca de 400 sem-teto que ocupavam um prédio de três andares na esquina das avenidas Ipiranga e São João, no centro da capital paulista, começaram a deixar o local por volta das 7h30, após a chegada de um oficial de Justiça e da Polícia Militar para o cumprimento do mandado de reintegração de posse expedido pela Justiça paulista em favor da empresa proprietária do prédio.

O grupo promete acampar nas ruas da cidade até que a prefeitura apresente uma proposta de alojamento para as famílias, que afirmam não ter para onde ir. O acampamento começará a ser construído ainda nesta manhã, próximo ao largo do Paissandu, que fica a cerca de 100 m do prédio desocupado.

O grupo, liderado pela Frente de Luta por Moradia, afirma ter a posse de uma liminar que obriga o poder público a providenciar alojamento e abrigo a todos os moradores de prédios abandonados ocupados pelos membros do grupo.

Osmar Silva Borges, coordenador do movimento, afirma que a liminar prevê que seja garantido o alojamento para as famílias até a efetiva implantação de programas habitacionais que garantam a eles acesso à moradia. A multa diária para o descumprimento da decisão é de R$ 3 mil.

"O perfil dos moradores que temos aqui é o de pessoas com renda entre um e três salários mínimos, que trabalha na região. Esse tipo de morador só tem acesso a moradia com acesso à rede de financiamento público.

Caso seja cumprida a decisão da Justiça nesta quarta-feira, pretendemos fazer um acampamento a cerca de 100 m daqui", diz.
Borges diz que as famílias que estão no local não têm perfil de moradores de rua e que por isso, os albergues da Prefeitura não são o local adequado para a moradia provisória dessas pessoas.

"Aqui há um núcleo familiar que não pode ser disperso, por isso, não dá para aceitar os abrigos", diz. Os abrigos da Prefeitura são destinados a pessoas que vivem sozinhas nas ruas.

Atualmente a Frente de Luta por Moradia ocupa 8 prédios na região central de São Paulo. Segundo dados da entidade, são cerca de 4 mil pessoas.
"São pessoas que vem da periferia para o centro, que tem cerca de 40 mil domicílios desocupados. Aqui há infraestrutura e a maioria dessas pessoas acaba conseguindo trabalho por aqui, seja em restaurantes, seja na limpeza de escritórios.

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