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Após Farc, Indio da Costa cobra relações do PT com o MST

Após Farc, Indio da Costa cobra relações do PT com o MST

Atualizado: Quarta-feira, 18 Agosto de 2010 as 11:34

Deputado carioca volta a fazer ataques durante debate com os candidatos a vice-presidente da República O candidato a vice-presidente na chapa tucana à Presidência, Indio da Costa (DEM), voltou a causar polêmica nesta terça-feira ao citar novamente um suposto elo entre o PT, da presidenciável Dilma Rousseff, e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

Após ser criticado por abordar o assunto, logo que foi oficializado candidato a vice de José Serra (PSDB), Indio subiu o tom das críticas sobre o governo federal durante debate com os candidatos a vice-presidente Michel Temer (PMDB) e Guilherme Leal (PV), promovido pelo jornal O Estado de S.Paulo. Indio criticou também a relação do governo federal com o MST.

Segundo o deputado, Dilma ainda deve repostas sobre se seu partido tem ou não relação com o narcotráfico. Desta vez, ele afirmou que o presidente Lula demonstra aproximação com a guerrilha colombiana ao incentivar que o movimento se transforme em partido político. Indio disse que, no lugar de Lula, teria vergonha de sugerir que o PCC ou o Comando Vermelho virassem partidos políticos no Brasil.

As declarações provocaram reação do presidente de Michel Temer, que durante o debate atuou como porta-voz do governo federal e saiu em defesa da ex-ministra da Casa Civil. Temer rechaçou a ilação feita pelo adversário, disse considerar “grave a acusação”, e afirmou que Lula simplesmente propôs, em seu argumento, um caminho democrático para quem defende mudanças sociais.

No evento, Indio polemizou ainda a relação do governo federal com o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) ao afirmar que a gestão petista foi frouxa em relação às invasões de terra e também no controle à entrada de drogas no País.

Temer reagiu dizendo que o governo petista tem atuado no combate às drogas, contratou dez mil novos agentes da Polícia Federal e que conseguiu, em sete anos e meio, apaziguar os movimentos sociais. Disse que, num eventual governo Dilma, a legalidade seria respeitada e lembrou que a Constituição prevê a desapropriação de terras improdutivas para fins de reforma agrária.

“Essa pode ser a posição do deputado Michel Temer, mas não da Dilma”, disse Indio, que durante o debate teceu elogios ao colega da Câmara, e centrou as críticas à presidenciável petista. Indio lembrou que o governo repassa verbas públicas para o MST, que disse não considerar um movimento social. Ele lembrou também que a candidata petista já usou o boné do MST, numa demonstração de conivência com as ações dos sem-terra.

Discurso casado

Durante o debate, os candidatos a vice reforçaram as posições dos presidenciáveis em relação a temas como aborto, união civil entre homossexuais e independência do Banco Central. Guilherme Leal, por exemplo, repetiu mais de uma vez discursos já feitos por Marina Silva (PV) sobre “projetos de longo prazo”, introdução de tecnologia no modelo de produção agrícola e diferença de alianças “programáticas” e alianças “pragmáticas” para formação de um eventual governo verde.

Defendeu também, a exemplo da senadora, que a questão do aborto seja discutida de forma “ampla” por meio de um plebiscito. Leal, que disse não querer entrar na polêmica sobre PT e as Farc, provocou risos da plateia ao se referir a Indio da Costa como “aguerrido e iconoclasta candidato com seu arco e flecha”. Ele afirmou, no entanto, que vê ligação do narcotráfico com grupos políticos e citou o financiamento de milícias que controlam o tráfico em áreas “onde o Estado não adentra”.

Indio, por sua vez, repetiu José Serra (PSDB) ao criticar o suposto loteamento de agencias estatais e projetos do atual governo, como trem-bala que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo. O deputado do DEM, que criticou a “anestesia” dos brasileiros em relação aos problemas do atual governo, afirmou haver conivência dos petistas com a corrupção, dizendo que acusados em escândalos políticos no governo Lula, como Antonio Palocci e José Dirceu, hoje “operam” a campanha petista à Presidência.

Afirmou também que, diferentemente do PT, o DEM expulsou as lideranças envolvidas em escândalos, como o do Distrito Federal – não citou, no entanto, que José Roberto Arruda, governador preso e afastado do governo do DF, chegou a ser cotado a vice na chapa tucana antes da eclosão do escândalo. Temer respondeu dizendo que todos os acusados no governo Lula respondem a processo na Justiça e que os episódios foram tratados de forma transparente.

No encontro, os candidatos pouco falaram sobre como pretendem atual caso suas chapas saiam vitoriosas nas eleições de outubro. Indio, por exemplo, divagou sobre o assunto para afirmar, no fim, que pretende ser a “duplicação” de Serra na avaliação de problemas do País.

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