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Após manifestação, PM permanece no entorno de favela em SP

Após manifestação, PM permanece no entorno de favela em SP

Atualizado: Terça-feira, 28 Setembro de 2010 as 9:06

Policiais militares permaneciam na manhã desta terça-feira (28) no entorno da Favela Real Parque, na Zona Sul de São Paulo, que teve mais de 300 barracos incendiados na semana passada e foi palco de uma manifestação de moradores na noite desta segunda-feira (27). Apesar de a situação estar tranquila, com muitos moradores saindo para o trabalho, policiais que estavam no local afirmaram que a corporação deve permanecer monitorando a área durante todo o dia.

Durante o protesto, moradores interditaram a pista local da Marginal Pinheiros, no sentido Interlagos. Eles queimaram pedaços de madeira e renderam o motorista de um ônibus, usando o veículo, que foi depredado, para interditar as faixas.

Com a chegada da polícia ao local, houve confronto. Policiais da Força Tática da PM entraram na favela e utilizaram bombas de efeito moral, de gás lacrimogêneo e tiros de bala de borracha para tentar conter o tumulto e intimidar os manifestantes, que revidavam atirando paus e pedras.

Moradores da favela disseram nesta manhã que foi difícil dormir depois de tanta confusão, especialmente com o cheiro e a fumaça das bombas de efeito moral. “Nem consegui dormir direito, estava um cheiro horrível, as crianças não conseguiram dormir”, contou a estudante de técnico em enfermagem Luciana Pereira Viana, de 32 anos. “Foi uma confusão, tinha criança voltando da escola que não conseguiu entrar em casa, gente voltando do trabalho. Os policiais não deixavam ninguém entrar nem sair.”

“Eu nem sabia que ia ter manifestação. Primeiro a gente escutou as bombas, depois veio o cheiro, uma gritaria, uma correria”, contou a cozinheira Cristiane Vieira, de 31 anos. As duas aguardavam o ônibus em um ponto próximo a uma das entradas da favela nesta manhã, e esperavam encontrar uma situação ainda tranquila ao voltarem para casa nesta noite. “Hoje está tudo normal, por enquanto. Vamos ver quando a gente voltar”, disse Cristiane.

Na noite de segunda, a PM informou que não iria se manifestar sobre o protesto. Segundo a Secretaria Municipal de Habitação, o protesto ocorreu após uma reunião com a prefeitura, por uma parte dos moradores atingidos no incêndio que não foram contemplados pelo auxílio-aluguel.

"Na reunião, técnicos da Prefeitura explicaram que seria pago auxílio aluguel de R$ 400 mensais por quatro meses e distribuído à maioria um ofício, chamado compromisso habitacional, pelo qual a família detentora tem a garantia de ser atendida em moradia definitiva no futuro. Porém, têm direito ao compromisso habitacional apenas as vítimas que constarem do cadastro original de 1.131 famílias da favela, feito em 2008”, explicou, em nota, a secretaria.

Segundo a pasta, "as famílias que foram atendidas logo após o incêndio, mas não comprovaram residência no local com o nome no cadastro serão analisadas posteriormente, caso a caso, mas não receberão o compromisso habitacional". "Uma pequena parcela dos moradores não aceitou essa decisão, porém a Sehab não pode admitir que ninguém fure a fila de atendimento."

Postado por: Guilherme Pilão

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