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Após moradores, mototaxistas também protestam no Alemão

Após moradores, mototaxistas também protestam no Alemão

Atualizado: Terça-feira, 6 Setembro de 2011 as 8:34

Depois da manifestação de moradores do Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, cerca de 30 mototaxistas também fizeram um protesto na comunidade durante a noite de segunda-feira (5). De acordo com o coronel Nilson Maciel, Chefe de Estado Maior da Força de Pacificação, eles protestaram contra o rigor na cobrança de documentação.

Segundo o coronel, alguns manifestantes se exaltaram e começaram a correr e fazer manobras perigosas com as motocicletas. A agitação assustou moradores, que denunciaram o caso na sede da Força de Pacificação.

"Colocamos o policiamento reforçado e fizemos algumas detenções", explicou Maciel. Segundo ele, pelo menos cinco mototaxistas foram detidos no local. Na Avenida Itaoca, sacos de lixo foram incendiados em dois pontos da via.

Após o protesto, no entanto, não foram registrados outros tumultos durante a madrugada, segundo a Força de Pacificação. Nesta terça-feira (6), o patrulhamento segue normal na comunidade.

Exército e MPF vão investigar excessos

Os protestos na segunda-feira (5) aconteceram um dia após uma confusão envolvendo moradores e militares da Força de Pacificação, que terminou com três detidos e uma mulher ferida.

O Exército e o Ministério Público Federal (MPF) informaram que vão investigar se os soldados cometeram excessos.

A comunidade estendeu faixas em várias ruas do morro em protesto contra a ação do Exército. Em uma delas os moradores dizem que foram humilhados, e comparam o comando do Exército ao de uma facção criminosa. Eles dizem que os soldados foram violentos com jovens que estavam em um bar, assistindo a um jogo de futebol pela televisão.

Manifestação aconteceu perto da estação de teleférico do Itararé (Foto: Jadson Marques / Ae)  

Segundo o Exército, a confusão, no domingo (4), começou quando dez integrantes da tropa da Força de Pacificação faziam uma ronda a pé pela comunidade e um homem, que assistia a um jogo de futebol em um bar, começou a hostilizá-los. O episódio ocorreu a 50 metros da estação do teleférico Itararé e foi gravada por um morador, que postou o vídeo no You Tube .

De acordo com o coronel Maciel, os militares deram ordem de prisão a um homem por desacato a autoridade. O coronel afirmou que outras pessoas que o acompanhavam teriam se revoltado com o ato, e agrediram a tropa com garrafas e pedras.

Os soldados usaram spray de pimenta e deram tiros com balas de borracha.

Comandante do Exército reconhece desgaste

A previsão inicial era de que o Exército ocupasse o Alemão por seis meses. No entanto, o prazo foi prorrogado para oito meses, e agora só deve deixar a comunidade no fim do primeiro semestre de 2012. O próprio comandante do Exército reconhece que a relação entre moradores e soldados já sofreu um desgate.

“O desgaste é natural, quanto maior a nossa permanência, maior o desgaste. Mas isso é administrável, nós temos como administrar, orientando o nosso pessoal, fazendo o rodízio das tropas que aqui estão e tratando não só das ações repressivas e policiais”, disse o general César Leme Justo, da Força de Pacificação.

O Ministério Público Federal também nvestiga um outro episódio que aconteceu há mais de um mês, na Vila Cruzeiro , também na Zona Norte. Soldados usaram spray de pimenta e balas de borracha contra moradores.

Confusão na Cidade de Deus

Em outra comunidade pacificada, a Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na Zona Oeste, também houve confusão. Na madrugada desta segunda-feira (5), um grupo de pessoas que voltava de um baile funk atacou a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) com pedras e pedaços de pau. Um PM ficou ferido após ser atingido por uma pedrada na cabeça.

As explicações para o tumulto têm versões diferentes. Os moradores acusam os policias de truculência. Já a PM diz que investiga a suspeita de que o grupo tenha agido sob o comando de traficantes. A Polícia Militar afirmou, ainda, que uma garrafa de cerveja lançada pelo grupo acabou acertando e quebrando uma vidraça nos fundos da UPP. Ninguém foi preso.

A antropóloga Alba Zaluar diz que é preciso preparar melhor os homens que cuidam das comunidades pacificadas: “Os soldados do Exército nós sabemos que não tiveram uma preparação para isso ou tiveram muito pouca preparação. O uso excessivo da força acaba com a confiança na polícia”, disse ela.            

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