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Após mortes de operários, auditores intensificam vistorias de elevador

Após mortes de operários, auditores intensificam vistorias de elevador

Atualizado: Quinta-feira, 11 Agosto de 2011 as 1:11

Vinte auditores fiscais começam a vistoriar os elevadores dos 300 canteiros de obras de Salvador a partir da tarde desta quinta-feira (11). O sistema de frenagem é o foco desta primeira etapa, conforme informa a Superintendência de Trabalho e Emprego (STE), órgão vinculado ao Ministério do Trabalho. Não foi confirmado qual será o horário e o canteiro vistoriado nesta tarde.     A medida de prevenção de acidentes em elevadores da construção civil, também chamado de balança, foi intensificada pelo órgão depois da morte de nove operários na manhã de terça-feira (9). A ação foi decidida após reunião do órgão com sindicalistas ligados à construção civil e representantes de empresas prestadoras de serviço de manutenção desses elevadores especializados.

A segunda etapa da fiscalização do equipamento está programada para começar no dia 5 de setembro. De acordo com a STE, a inspeção estará direcionada ao eixo da roldana, ferramenta que sustenta a parte superior do elevador. Na segunda fase, a STE informa que auditores fiscais do interior do estado serão convocados na ação.

Queda de elevador em construção deixa operários mortos

em Salvador (Foto: Arestides Baptista/Agência A Tarde/AE)

  Causas do acidente

As ferramentas que serão vistoriadas na ação dos auditores fiscais foram apontadas por técnicos da Delegacia Regional do Trabalho como as falhas mecânicas que ocasionaram o acidente.

A queda ocorreu por volta das 7h, na construção do edifício Empresarial Paulo VI, localizado na Avenida ACM, em Salvador. A obra está interditada e a categoria fez protesto contra o acidente na quarta-feira (10), na capital baiana.

O coordenador de análises de acidentes, Anastácio Gonçalves, explica as evidências. “No momento em que o eixo quebrou, o elevador começou a cair, até porque não tinha nada que o sustentasse. Mas tem um mecanismo, que é o freio automático, que segura a cabine em qualquer posição que ela se encontre, que também falhou”, explica. Ele comenta ainda que o material já devia ter sido substituído. “O eixo e o freio estão bastante desgastados. Todas as evidências levam para uma falha de manutenção, já que o elevador é muito antigo, é de 1998”, observa.

José Ribeiro, presidente do Sintracom-BA (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção e da Madeira da Bahia), alerta para o mesmo ponto: manutenção. “Uma peça nova dificilmente se romperia. Se tivesse com manutenção com certeza o freio reserva do equipamento teria travado”, comenta. De acordo com Ribeiro, diversos operários relataram que o equipamento já havia apresentado defeito em outras obras.

O auditor fiscal e chefe da Superintendência Regional do Trabalho, Flávio Nunes, afirma que equipes de inspeção averiguam os canteiros de obras com periodicidade. Uma das ações de rotina, segundo ele, é a verificação da condição dos dispositivos de segurança, como medida de prevenção de acidentes. Ele confirma que a hipótese preliminar é de que a falta de manutenção tenha causado o acidente.

“Há indícios, apenas indícios, de que o problema foi ocasionado em função de uma manutenção inadequada, que acarretou no rompimento mecânico de um eixo e, por consequência, o freio não atuou. Aí a gente verifica que houve algumas irregularidades, que supostamente contribuíram para a ocorrência do acidente”, diz.

A obra foi embargada ainda na terça-feira (9), logo após o acidente. Conforme avisa o auditor fiscal, a obra só será retomada após realização da adequação dos requisitos que serão apontados, do ponto de vista da segurança do trabalho. “Interditamos os elevadores, o que é uma prática comum nos canteiros de obra da região, porque colocam em risco a integridade física das pessoas. São acidentes preveníveis, porque a resolução desses problemas está previstas na norma regulamentadora”, explica.

Empresa nega desgaste

O advogado e um dos diretores da Construtora Segura, responsável pela obra, Fernando Magalhães, defende que o eixo não estava desgastado e trabalhava dentro de sua vida útil. Ele conta que, no momento, a preocupação da empresa é com a assistência às famílias vitimadas, no sentido de minimizar as problemáticas. “Tudo o que falarmos aqui talvez seja precipitado. Precisamos fazer algumas análises, verificar efetivamente o que aconteceu. A construtora está fazendo tudo o que está ao alcance dela para ajudar a Delegacia Regional do Trabalho, a peça inclusive foi retirada pela construtora e entregue a um auditor do trabalho”.

Ainda segundo o empresário, a manutenção dos elevadores foi realizada no sábado (6) e dos cabos que sustentam o equipamento há 30 dias. “Com a quebra possivelmente do eixo, a falha no freio veio em seguida. Mas é prematuro sair daqui com uma definição”, completa.          

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