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Após rebelião no ES, reivindicações dos internos não serão atendidas

Após rebelião no ES, reivindicações dos internos não serão atendidas

Atualizado: Quinta-feira, 18 Agosto de 2011 as 1:17

A direção do Instituto de Atendimento Sócio-Educativo do Espírito Santo (Iases) informou nesta quinta-feira (18) que não atendeu as reivindicações dos internos após a rebelião que aconteceu na noite desta quarta-feira, na Unidade de Internação da Regional Sul, em Cachoeiro de Itapemirim. Segundo a direção, 13 funcionários estavam no local no início do confronto, mas foram liberados rapidamente, ficando apenas uma psicóloga como refém até o fim das negociações.

Segundo a diretora-presidente do Iases, Silvana Gallina, os sete jovens que lideraram a rebelião queriam desorganizar a unidade. Uma das mudanças reprovadas pelos adolescentes é a proibição do cigarro e da entrada e saída de malotes na nova unidade. "O tempo todo eles verbalizaram que não queriam horários, escola, cumprir a profissionalização, e queriam determinar os horários de funcionamento", afirma Gallina.

De acordo com Silvana Gallina, as reivindicações dos adolescentes não foram atendidas. "O Estado tem a obrigação de garantir um programa de atendimento socioeducativo que possa oferecer oportunidades e a inclusão social desses adolescentes. É proibido cigarro e, em todas as novas unidades, também será proibido". Segundo a diretora-presidente, há um programa de abordagem terapêutica para trabalhar a abstinência. "Não foi feito acordo. O processo de negociação foi muito bem feito porque foi preservada a vida. A reivindicação não é passível de negociação", completou.

Jovem envolvido em rebelião no Iases.

(Foto: Reprodução/TV Gazeta)

  A diretora informou que a unidade é nova e tem um programa de atendimento que é modelo de organização. "Temos uma jornada pedagógica para assegurar os direitos a esses adolescentes. Mas esses direitos passam a ser obrigações para esses jovens, deveres que eles precisam cumprir. A crise aconteceu porque eles não queriam se adequar e se enquadrar à jornada pedagógica", completou.

O grupo que liderou a rebelião era composto por jovens maiores de 18 anos. Segundo a diretora-presidente do Iases, mesmo sendo maiores de idade, esses jovens deveriam estar na unidade, pois estão cumprindo medidas socioeducativas que, de acordo com o estatuto, podem ser cumpridas até os 21 anos. "A questão agora é que, a partir dos 18 anos e cometendo estes atos infracionais, a gente vai dialogar com a Polícia Civil e com o sistema de Justiça para ver quais são as providências a serem tomadas. Com certeza eles vão responder por esse crime, com base na Lei de execução penal", disse Gallina.

As negociações começaram por volta das 21h30, quando três viaturas do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar e representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) chegaram ao Iases. Mas, apenas os policiais foram autorizados a entrar na unidade. "O Conselho tem livre arbítrio para entrar a hora que quiser ", reclamou Edinete Mendes, representante do CMDCA. "Os funcionários do Iases estão muito mal informados, é realmente falta do conhecimento da Lei", completou.

O motim, que durou três horas, foi controlado por volta das 22h, quando os menores aceitaram se render e libertaram a refém. Um adolescente ficou ferido e foi encaminhados para atendimento no Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Cachoeiro de Itapemirim. Ele continua internado, mas em observação.

"Reivindicação não é passível de negociação".

(Foto: Reprodução/TV Gazeta)

  De acordo com Silvana Gallina, as reivindicações dos adolescentes não foram atendidas. "De jeito nenhum. O Estado tem a obrigação de garantir um programa de atendimento socioeducativo que possa oferecer oportunidades e a inclusão social desses adolescentes. É proibido cigarro e, em todas as novas unidades, também será proibido". Segundo a diretora-presidente, há um programa de abordagem terapêutica para trabalhar a abstinência. "Não foi feito acordo. O processo de negociação foi muito bem feito porque foi preservada a vida. A reivindicação não é passível de negociação", completou.

Negociações

As negociações começaram por volta das 21h30, quando três viaturas do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar e representantes do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) chegaram ao Iases. Mas, apenas os policiais foram autorizados a entrar na unidade. "O Conselho tem livre arbítrio para entrar a hora que quiser ", reclamou Edinete Mendes, representante do CMDCA. "Os funcionários do Iases estão muito mal informados, é realmente falta do conhecimento da Lei", completou.

O motim, que durou três horas, foi controlado por volta das 22h, quando os menores aceitaram se render e libertaram a refém. Um adolescente ficou ferido e foi encaminhados para atendimento no Hospital Santa Casa de Misericórdia, em Cachoeiro de Itapemirim. Ele continua internado, mas em observação.

Novas Unidades do Iases

A Unidades de Internação Regional Sul – Cachoeiro de Itapemirim foi entregue em 2010 e ocupada a partir de março de 2011. Ela faz parte da descentralização e da regionalização do sistema socioeducativo no Espírito Santo, que atualmente conta com 11 unidades de atendimento a adolescentes em conflito com a lei, localizadas na Região Metropolitana da Grande Vitória, Região Norte (Linhares) e Sul (Cachoeiro de Itapemirim).            

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