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Após reclamações, Bope vai apurar queixas de abusos na Maré, no RJ

Após reclamações, Bope vai apurar queixas de abusos na Maré, no RJ

Atualizado: Segunda-feira, 24 Outubro de 2011 as 2:51

Moradores da Maré se reúnem para discutir ações

do Bope (Foto: Lilian Quaino/G1) Moradores das comunidades do Conjunto da Maré, no subúrbio do Rio, se reuniram no início da tarde desta segunda-feira (24) para elaborar uma carta a ser enviada à Secretaria de Segurança do Estado, divulgando o que alegam ser abusos por parte de soldados do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Os agentes do Bope estão em operação nas comunidades desde a sexta-feira (14). Os moradores, na carta, pedem a garantia dos direitos dos moradores.

Segundo os moradores, que não quiseram se identificar, os policiais têm feito abordagens de forma indevida, invadido casas, examinando as narinas das pessoas, entre outras situações. Integrantes do Bope participaram da reunião, em princípio marcada apenas para moradores, e, após ouvirem as reclamações, se comprometeram a apurar os fatos.

A reunião foi realizada na sede do Observatório de Favelas, com apoio da organização Redes de Desenvolvimento da Maré.

Queixas de mototaxistas

Charles Gonçalves Guimarães, presidente da Associação de Moradores da Baixa do Sapateiro, uma das comunidades da Maré, disse que tem recebido reclamações de abusos, principalmente dos mototaxistas que dizem ser sempre revistados. 

A tenente psicóloga do Bope Alexandra Vicente informou aos moradores que "o Bope não veio atrapalhar".

"Vamos ver o que está acontecendo, maus policiais existem e para eles há a Ouvidoria e a Corregedoria. Sabemos que tem muita coisa para mudar, coisas antigas, situações lá de trás, mas nós vamos mudar", disse ela, acrescentando que o encontro foi pródigo tanto para os moradores como para os policiais.

Já o sargento do Bope Max Coelho conclamou a população a não temer as operações da unidade.

"As denúncias vão ser apuradas pois mantemos um diálogo aberto com a sociedade e os desvios de condutas vão ser investigados", garantiu.

Coelho informou que as reivindicações dos moradores serão enviadas ao comando da uniadade e serão tomadas providências e medidas a serem aplicadas em futuras operações.

Sem data para sair

Ele explicou que a operação é continuada, sem data de saída, e o objetivo é prender narcotraficantes e apreender drogas, conforme orientação da Secretaria de Segurança.

"Em uma semana de ocupação, recuperamos mais de cem veículos", afirmou Coelho.

Ele explicou que a unidade recebeu uma denúncia de que uma construtora estaria sendo extorquida em R$ 2 milhões por traficantes para que suas obras pudessem prosseguir.

"A ideia é fazer com que essas obras continuem para trazem benfeitorias para a comunidade", disse.

Sobre os panfletos lançados de helicópteros sobre o Conjunto da Maré no início da operação, o que levou moradores a acharem que se tratava do início da implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), o sargento explicou que o objetivo foi fazer a população se juntar a eles para que denuncie atividades criminosas.

"Todas as comunidades querem o Bope presente e a nova sede do Bope será na entrada da Maré. Essa reunião serviu para estreitar o relacionamento e abrir o debate, o que deve existir numa sociedade moderna", disse Max Coelho.

Drogas

Na manhã desta segunda, agentes do  Bope apreenderam crack, cocaína, ecstasy e maconha   na Favela Parque União, no Conjunto de Favelas da Maré, segundo informações são da Polícia Militar do Rio.          

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