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Após ser solta, polícia apura convênio de falsa psicóloga com a Marinha

Após ser solta, polícia apura convênio de falsa psicóloga com a Marinha

Atualizado: Terça-feira, 3 Maio de 2011 as 10:37

A polícia do Rio investiga se a falsa psicóloga presa na semana passada já teve convênio com o setor de saúde da Marinha. A denúncia veio de pais de um paciente que teriam usado o serviço para tratar o filho. A suspeita foi solta no último sábado (30), três dias depois de sua prisão.

Nesta terça-feira (3), a Delegacia do Consumidor (Decon) pretende ouvir pais e ex-funcionários da clínica mantida por ela em Botafogo, na Zona Sul da cidade. Procurada pelo G1 , a Marinha não retornou o contato até a conclusão desta reportagem.

“Vamos oficiar a Marinha, que é um órgão que tem tanto rigor”, contou o delegado Maurício Luciano. Segundo ele, os pais contaram em depoimento que a denunciaram ao setor de saúde da Marinha porque ela cobrava serviço de fonoaudiologia por fora, apesar de ser um item incluso no convênio. Ela teria sido descredenciada em seguida.     Além de muitos pais, alguns ex-funcionários também foram ouvidos. “Muita coisa era só fachada. Os profissionais de lá não tinham vinculo empregatício e, como terapeutas, usavam métodos poucos ortodoxos, como colocar a comida à força na boca da criança. Estamos chamando os pais e, a partir destes depoimentos, a gente descobre os funcionários. Alguns não tinham formação para atuar como atuavam, mas não temos ainda elementos que afirmem que eles sabiam que ela não era psicóloga”, explica o delegado.

O propósito era que as crianças não melhorassem, disse funcionária

Ainda de acordo com Maurício Luciano, uma das funcionárias interrogadas chegou a dizer em depoimento que “sentia que o propósito era que as crianças não melhorassem e que os pais se eternizassem pagando as consultas”. Num outro depoimento, uma ex-funcionária contou que havia sido colega de faculdade da estelionatária e que acreditava que ela havia se formado.

“Cada um dos casos vai gerar um procedimento na Justiça”, afirma o delegado, que aguarda a decisão da Justiça sobre o bloqueio de bens da falsa psicóloga. “O objetivo é que ela não possa usufruir do dinheiro que auferiu mediante a fraude. A gente está juntando provas e indícios de crimes para verificar, para ver se pedimos uma nova prisão”, completa ele.

Entenda o caso

A falsa psicóloga foi presa em flagrante, na tarde de quarta-feira (27), atendendo um paciente em Botafogo, na Zona Sul, onde funcionava um centro de tratamento especializado fundado por ela. De acordo com as investigações , ela não possui graduação em curso superior, nem especialização em psicologia.

Segundo a polícia, ela atuava há 12 anos e atualmente ‘tratava’ cerca de 60 pacientes. Imagens feitas no centro de tratamento mostram a suspeita conversando com uma delegada, pensando se tratar da mãe de um futuro paciente. “Ela disse, sem conhecer a criança e sem ver, que era uma criança autista e precisaria do tratamento máximo, com três horas diárias“, conta a delegada Patrícia Aguiar, da Decon.     A fraude foi descoberta por Andréia e o marido, Gilson Moreira, que desconfiou quando pediu recibos para declarar as despesas no imposto de renda. “Conflitou o primeiro número verbal e o segundo, já estabelecido no recibo dela. Aí eu procurei o CRP (Conselho Regional de Psicologia) e, nesse momento, a gente conseguiu detectar que ela não era psicóloga”, lembra ele.

“Sempre fomos muito bem tratados e nunca desconfiei de nada“, conta Luis Romero, pai de uma outra vítima.

De acordo com a polícia, ela cobrava, em média, R$ 90 por hora. Na delegacia, segundo a polícia, a falsa psicóloga disse informalmente só ter cursado dois períodos da faculdade de psicologia. A suspeita será indiciada por estelionato, propaganda enganosa e exercício ilegal da profissão.        

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