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Arrombamento de carros aumenta 60% em Belo Horizonte - MG

Arrombamento de carros aumenta 60% em Belo Horizonte - MG

Atualizado: Segunda-feira, 22 Novembro de 2010 as 8:32

A Polícia Civil do Estado de Minas Gerais está intensificando os trabalhos para combater o comércio de peças roubadas de carros e motos em Belo Horizonte e região metropolitana. No entanto, o número de ocorrências de furto qualificado consumado, com arrombamento de veículos automotores, registrou crescimento.

- Nos Estados Unidos, por exemplo, as peças descartadas são recicladas por meio do processo de remanufatura.  

Na avenida Pedro II, por exemplo, local onde se concentra grande número de ferros-velhos e oficinas, a reportagem percorreu dez lojas que trabalham com peças e acessórios seminovos de carros e motos, em busca de indícios de comercialização de peças roubadas ou de possíveis irregularidades. Em sete estabelecimentos, os atendentes revelaram que não emitem nota fiscal e que os produtos comercializados não eram exatamente adquiridos em leilões. O gerente de um ferro-velho conta que a oferta é grande.

- Toda hora chega uma pessoa oferecendo um retrovisor ou uma calota, dizendo que é do carro que se envolveu em uma batida.

Em uma oficina, que trabalha com lanternagem, o vendedor, que também é mecânico, confessou que já comprou peças com valores bem abaixo da média praticada no mercado, sem nota fiscal e procedência. Atitude que, segundo ele, não significa que o acessório tenha sido roubado.

- Como diz o ditado, quem vê cara, não vê coração. A gente não pode julgar as pessoas pela aparência e, no mais, tem que faturar, pois sem dinheiro o negócio fecha.   

Para o delegado, um dos fatores que justifica o avanço do mercado ilícito de peças usadas é o constante aumento da frota de veículos no Estado que, segundo ele, cresce cerca de 10% ao ano.

- Os carros denominados populares são, hoje, de fácil aquisição. O reflexo se traduz no saturado e caótico trânsito da capital, sem falar na dificuldade de encontrar vagas e estacionamentos. 

Sandoli acrescenta que, diante desse cenário, o número de acidentes entre veículos também aumenta gradativamente. E, como efeito cascata, a reposição de peças se faz necessária. A população procura alternativas para reduzir o prejuízo e acaba por fomentar o denominado mercado negro. De acordo com a BHTrans, entre motos e automóveis, a frota capital registrou, em janeiro do ano passado, 1.113.905 veículos. Em outubro deste ano, o número saltou para 1.302.770 veículos.  

Ainda segundo o delegado, equipes formadas por agentes da Delegacia Especializada em Investigações de Furtos e Roubos de Veículos, orientadas e treinadas, fiscalizam, diuturnamente, os ferros-velhos e desmanches de veículos espalhados pela cidade. Há também um trabalho de conscientização, com a distribuição de cartilhas explicativas, que adverte para os perigos de adquirir peças usadas de origem duvidosa.

- É importante exigir nota fiscal. Há casos em que as pessoas compram peças que foram retiradas de um veículo sinistrado, envolvido em acidente grave. O equipamento comprado, um freio de disco, por exemplo, pode ter causado a falha e o acidente.  

Leilões

O delegado Ramon Sandoli explica que são os leilões de veículos apreendidos por supostas irregularidades, realizados pelo Detran, que contribuem para conter o comércio ilegal de peças usadas. Desta maneira, o mercado é abastecido com peças usadas lícitas. O objetivo é reduzir os crimes cometidos para esse objetivo.  

- Se um carro apreendido por infração administrativa de trânsito ou recuperado de furto e roubo não é reclamado pelo proprietário em 90 dias, a legislação estadual autoriza o leilão do veículo.

Conforme o delegado, no ano passado 4.115 veículos foram leiloados na capital, ante 2.493 até a semana passada. A maioria na condição de sucata. O dinheiro arrecadado com os leilões é usado para quitar débitos do Estado com as empresas credenciadas para guardar os automóveis apreendidos.De acordo com a Seds (Secretaria Estadual de Defesa Social), de janeiro a setembro deste ano foram contabilizadas 163 ocorrências contra 102 no mesmo período de 2009, um aumento de quase 60%. Segundo o coordenador de operações especiais do Detran, delegado Ramon Sandoli, a solução para acabar com o problema seria a proibição do comércio de peças usadas.

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