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Arrozeiros de Roraima dizem ter propostas para levar atividade para países vizinhos

Arrozeiros de Roraima dizem ter propostas para levar atividade para países vizinhos

Atualizado: Sexta-feira, 12 Dezembro de 2008 as 12

Arrozeiros de Roraima dizem ter propostas para levar atividade para países vizinhos

Sob o risco de serem obrigados a deixar suas atuais propriedades rurais nos limites da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, caso o Supremo Tribunal Federal confirme decisão pela constitucionalidade da demarcação em faixa contínua, os produtores de arroz de Roraima informam já ter  recebido propostas, informais, de companheiros da Venezuela e da Guiana para que cruzem as fronteiras com seus equipamentos. Pesariam a favor da eventual mudança, custos de produção bastante inferiores aos nacionais.

"Empresários ligados  ao ramo nos convidam dizendo que têm área disponível. A produção de alimentos na Venezuela é praticamente isenta de todos os impostos. Combustível é praticamente de graça, o fertilizante é subsidiado e os tratores são mais baratos", afirmou à Agência Brasil o presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima, Nelson Itikawa.

Itikawa ressaltou, entretanto, que, pessoalmente, ao menos por enquanto,  não tem interesse em deixar o Brasil: "Nasci aqui. Meus filhos e netos são brasileiros. Por ora está descartada para mim a possibilidade. Assim como estão excluídas da demarcação as sedes dos municípios de Normandia e Uiramutã, nossas fazendas também podem ficar de fora. O julgamento [no STF] ainda não acabou".

O produtor Luiz Afonso Faccio se mostra mais suscetível aos convites. Ele diz sentir-se "tratado como bandido" pelo governo federal. "Querem nos expulsar de propriedades depois de 30 anos de trabalho. Estamos estudando [a mudança de país], enquanto aguardamos que o STF tenha um entendimento verdadeiro sobre a realidade do estado".

A resistência dos rizicultores em aceitar a desapropriação é motivada por três alegações. Eles sustentam que as áreas onde estão as fazendas nunca foram indígenas. Dizem ainda que o valor das indenizações propostas pela Fundação Nacional do Índio (Funai) é baixo e que não há em Roraima outras áreas compatíveis com a cultura. Uma transferência para terras ao sul do estado não seduz os produtores. "São regiões alagadiças, de mata virgem, sem condição de produzir", criticou Faccio.

Uma eventual saída dos arrozeiros de Roraima seria bastante lamentada pelo governo estadual. A atividade é responsável por cerca de 6% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, gera mil empregos diretos e  seis mil indiretos. Os números são do próprio governo e da associação dos produtores.

Ainda esperançosos em uma reviravolta no julgamento do STF, que lhes permita ficar nas fazendas, os arrozeiros de Roraima prometem safra recorde superior a três milhões de sacas.  Nas sedes de suas empresas, no Distrito Industrial de Boa Vista, caminhões são carregados em ritmo intenso.

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