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Ataque a caixas eletrônicos é 'crime da moda', diz secretário da Segurança

Ataque a caixas eletrônicos é 'crime da moda', diz secretário da Segurança

Atualizado: Quinta-feira, 12 Maio de 2011 as 12:58

  O Secretário da Segurança Pública de São Paulo, Antonio Ferreira Pinto, classificou o ataque a caixas eletrônicos como o "crime da moda". A polícia diz que já identificou algumas das quadrilhas que atacam esses equipamentos no estado. São criminosos que usam armamento pesado e explosivos para levar o dinheiro das máquinas de saque. Geralmente, chegam de madrugada em mercados e lojas de pouco movimento.

Desde o começo de abril já foram pelo menos 43 ataques e roubos na capital e na Grande São Paulo. Os últimos três aconteceram entre a noite desta quarta-feira (11) e a madrugada desta quinta (12). “É o crime da moda, como tivemos esses crimes (de roubo) a joalherias. Vamos desvendar algumas quadrilhas que já temos dados a respeito”, disse Ferreira Pinto.      De acordo com o secretário, algumas divisões da polícia vão se concentrar na tentativa de conter esses furtos. “Estamos deslocando toda a Divisão de Crimes contra o Patrimônio do Deic, a 5ª Delegacia de Roubo a Banco e 80% do efetivo do Garra será empregado totalmente nessa área. Estamos empenhados nessa nova modalidade delituosa. Eu acredito que dentro em breve nós teremos bons resultados. ”

Migração

Ferreira Pinto afirmou que essa prática começou no Nordeste, mas, com a utilização de tintas para manchar as notas, houve uma grande redução desse tipo de crime. Ele acredita que ocorrerá o mesmo em São Paulo. Para o secretário, houve uma “migração” do tipo de crime feito por quadrilhas em São Paulo. “Eles migraram de roubo a banco, que o risco é muito maior, para essa modalidade, que, num primeiro momento parece ser mais fácil.”

O secretário afirmou que mais de uma quadrilha atuam nessa nova modalidade. “Nós sabemos que existem vários grupos atuando porque uns utilizam uma quantidade muito grande de explosivo e causam danos fantásticos. Outros, que já são mais profissionais, usam explosivos suficientes para explodir somente o caixa. Isso evidencia que é mais de um grupo.”

Ele defendeu que haja o maior controle no transporte de explosivos. “Há uma facilidade muito grande no transporte de dinamite. O controle é só registrado na compra, mas, quando há roubo, essas empresas não dão ciência disso e compram um novo estoque. A polícia não fica sabendo a quantidade desse material que é desviada para a mão dos criminosos.”

Para evitar esse problema, Ferreira Pinto contou que vai sugerir ao Exército e às empresas que avisem a polícia quando houver roubo desse material. O secretário participou pela manhã de um evento da Polícia Militar na capital.

Crimes recentes

Como em outros casos, os bandidos agiram de madrugada, colocando explosivos no caixa eletrônico que tinha um dispositivo para jogar tinta nas notas. Mesmo assim, eles fugiram levando todo o dinheiro.

Espalhados por toda a frente do mercado, as marcas de mais um ataque: pedaços do que sobrou do caixa eletrônico e mercadorias que se perderam depois da explosão. Os funcionários passaram a manhã fazendo a limpeza e o gerente disse que ainda não tinha uma ideia do prejuízo. Ele tinha dúvidas quanto a colocar uma nova máquina na loja por não se sentir seguro.

Os suspeitos, encapuzados, chegaram ao local armados de fuzis e metralhadoras. Durante o assalto, os donos do mercado ficaram amarrados durante uma hora e meia e só foram soltos quando a polícia chegou. "Isso aí virou rotina. Em todos os bairros de São Paulo está acontecendo esse tipo de ação e, mesmo com esse dispositivo de bomba de tinta, os marginais insistem em fazer esse tipo de delito”, afirmou um sargento da Polícia Militar.

Em Perus, na Zona Oeste da capital, outro mercado foi atacado pelos ladrões de caixa eletrônico. Três homens armados chegaram pouco antes do fechamento do mercadinho da Rua Alexandre Orlov, às 20h. "Enquanto os proprietários baixavam as portas dos mercados, foram rendidos, juntamente com os funcionários e alguns dos clientes que foram levados para o fundo do supermercado”, contou o cabo Rodrigues, da PM.

A máquina foi aberta com explosivos, mas o cofre, não. E os criminosos fugiram sem levar o dinheiro, deixando para trás as ferramentas. Quando a polícia chegou, só viu a fumaça da explosão. Ninguém ficou ferido.        

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