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Atendimento à mulher vítima de violência sexual no Rio é avaliado como bom

Atendimento à mulher vítima de violência sexual no Rio é avaliado como bom

Atualizado: Segunda-feira, 8 Dezembro de 2008 as 12

Pesquisa inédita no país, realizada pela Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ESS/UFRJ),  revelou que a avaliação das mulheres é positiva em relação aos núcleos de atenção às mulheres em situação de violência sexual da cidade do Rio.

A pesquisa foi elaborada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ). O trabalho é divulgado hoje, 8 de dezembro, no seminário Diálogos no Enfrentamento à Violência Sexual Contra a Mulher: Um desafio para as Políticas Sociais, no Rio de Janeiro.

As entrevistadas, mulheres que foram atendidas em uma das cinco maternidades municipais do Rio, disseram, em sua maioria, que os núcleos de atenção "funcionam relativamente bem".

A coordenadora do Núcleo de Saúde Reprodutiva da ESS/UFRJ, Ludmila Cavalcanti, avaliou em entrevista à Agência Brasil, que os núcleos trabalham em conformidade com a Norma Técnica de Atendimento à Mulher Vítima de Violência Sexual do Ministério da Saúde. "Houve uma avaliação bastante positiva dos núcleos no nosso município."

O estudo servirá de base para um levantamento mais amplo que será iniciado em janeiro de 2009, também com apoio do CNPQ, abrangendo toda a rede de saúde do estado do Rio de Janeiro, envolvendo hospitais municipais, estaduais, filantrópicos e conveniados com o Sistema Único de Saúde, que realizem esse atendimento no âmbito do estado.

Ludmila Cavalcanti informou que o atendimento se refere à incorporação da Norma Técnica pelas maternidades, englobando desde o acolhimento, acesso, integralidade, sistema de registro, adesão das mulheres ao ambulatório, até a atitude em relação ao aborto previsto em lei. "Esse é apenas um dos aspectos que a pesquisa trabalhou".

Ela lembrou que esses são serviços públicos que não existem na rede privada e acrescentou que a capital fluminense é um dos poucos municípios brasileiros com grande número de núcleos para esse tipo de atendimento. Os profissionais que atendem as mulheres nesses núcleos são "altamente qualificados, a maioria com, pelo menos, duas pós-graduações". E as mulheres avaliam o atendimento como "bastante satisfatório".

Nos núcleos, as vítimas de violência sexual recebem medicação para doenças sexualmente transmissíveis, para hepatite e AIDs. Também é oferecida às mulheres a contracepção de emergência, conhecida como a pílula do dia seguinte, "exatamente para evitar o aborto ilegal, na medida em que as mulheres usam essa medicação. Isso foi bem avaliado".

A professora da ESS/UFRJ observou, contudo, que existem pontos que podem ser aprimorados. Entre eles, destacou a adesão das mulheres ao acompanhamento e a continuidade do atendimento ambulatorial. "Isso é uma dificuldade", disse.

Outro ponto a ser aprimorado diz respeito à questão da integração da rede de atendimento à mulher vítima de violência sexual, composta por uma série de serviços, como delegacias, abrigos, hospitais. Ludmila disse que o sistema de informações ainda é deficitário. "Nós poderíamos ter, não só no nosso município, mas no estado como um todo, um serviço de registro mais integrado. Isso poderia ser, com certeza, aprimorado".

Segundo a pesquisa, esse tipo de violência acontece com uma entre quatro mulheres, o que representa 25% da população feminina, atingindo 35% em alguns municípios do estado. "É um fenômeno de alta incidência na vida das mulheres", constatou Ludmila.

Isso sem falar que a violência não é só a imprevisível, perpetrada por um estranho, mas também, em sua maior parte, ela é causada por companheiros, maridos e ex-maridos. "Essas são violências cujo ciclo é muito difícil de ser rompido."

No seminário, a Escola de Serviço Social da UFRJ discutirá também experiências de atendimento à mulher vítima de violência sexual efetuadas em outras localidades do país. O evento integra a campanha internacional "16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher", cujo compromisso é divulgar e enfrentar essa questão.

Postado por: Claudia Moraes

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