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Bairro onde ocorreu tragédia em escola tem 86ª posição no IDH do Rio

Bairro onde ocorreu tragédia em escola tem 86ª posição no IDH do Rio

Atualizado: Sexta-feira, 8 Abril de 2011 as 9:09

Realengo, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, bairro que vai ficar marcado na história do Brasil como local do pior massacre contra alunos dentro de uma escola , tem uma origem pacata, e já foi apenas um imenso pasto para gado, pertencente ao reino Brasil-Portugual. Na manhã desta quinta-feira (7), um homem entrou na Escola Municipal Tasso da Silveira, baleou e matou 12 crianças. Depois, ele se suicidou.

A escola onde ocorreu o massacre, isolada por policiais (Foto: Victor R. Caivano/AP)

  De acordo com dados do Instituto Pereira Passos (IPP), da Prefeitura do Rio de Janeiro, o bairro de Realengo, que foi criado por decreto municipal em 23 de julho de 1981, tem uma população de 176.277 habitantes, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do ano 2000.

Entre 126 bairros cariocas, Realengo ocupa a 86ª posição na avaliação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), com taxa de 0,803. Quanto mais perto de 1, mais desenvolvida é a região. O bairro da Gávea, na Zona Sul, ocupa o topo da lista, com 0,970 de taxa no IDH, e R$ 2.139,56 de renda per capita. Já em Realengo, a renda per capita é de R$ 316,41, e a expectativa de vida é de 69,63 anos. Quem nasce na Gávea vive, em média, 80,45 anos.

Mais da metade dos responsáveis pelos domicílios tem renda entre dois e dez salários-mínimos, e menos de 10% tem Ensino Superior. Segundo os dados de 2000, cerca de 80% das residências são de casas, e os 20% restantes, de apartamentos.

De acordo com o IPP, ao todo, 96,91% das residências contam com abastecimento de água, e 69,77% são ligadas à rede de esgoto. Outras 25,20% têm fossas sépticas e 3,04% jogam o esgoto direto em rios e canais. Do total, 94,78% dos domicílios contam com serviço de coleta de lixo.     Homicídios na região caíram; roubos aumentaram

Realengo pertence à Área de Segurança Pública 14 (AISP 14), que engloba mais 13 bairros da Zona Oeste. De acordo com o Instituto de Segurança Pública, do governo do estado, na AISP 14 foram registrados 154 homicídios dolosos em 2010, cem a menos do que os 254 de 2009. Isso representa pouco menos de 10% do total de homicídios na capital. O número de tentativa de homicídios também caiu, de 284 casos registrados em 2009 para 208, em 2010. Já os homicídios culposos aumentaram de 60 casos em 2009 para 79, em 2010.

Apesar de o índice de roubos na capital, como um todo, ter caído de 2009 para 2010, na AISP 14 ocorreu o contrário. Os casos de roubos a estabelecimentos comerciais, residências, veículos e cargas, todos registraram alta em 2010, na comparação com o ano anterior. Por outro lado, reduziram os casos de roubo a pessoas na rua, e em ônibus.

De terras reais ao massacre de Realengo

“Quando recebi a notícia, estava com um grupo de 20 crianças, em Petrópolis, mostrando um pouco de história e cultura”, contou o historiador Milton Teixeira. “Tive uma espécie de espasmo na hora. Senti como se fossem meus filhos que estivessem lá”, recorda.

De acordo com Teixeira, até meados do século 16, a área do bairro pertencia aos jesuítas, e nela plantava-se cana-de-açúcar. Depois, quando os religiosos foram expulsos em 1759, o local passou a integrar a Freguesia de Campo Grande. “Em 1811, Dom João VI declarou que as terras seriam pasto de gado. A carne estava destinada a abastecer a cidade. Era uma espécie de estoque regulador”, esclarece o historiador. Como pertenciam ao rei, eram chamadas de “terras realengas”. Daí a origem do nome: Realengo.

Milton Teixeira explica que, apesar de realmente ter existido um engenho de cana na região, não passa de invenção a teoria que explica que Realengo seria uma contração das palavras Real Engo., que seriam encontradas em placas indicativas - neste caso, “engo” seria a abreviação de “engenho”. “Essa história é uma lenda, apesar de muitos pesquisadores sérios a aceitarem como verdadeira”, afirma o historiador.

Realengo vai ter uma ocupação maior a partir de 1886, quando a linha do trem chega até a região. A partir de então, são construídas várias instalações militares. “A antiga fábrica de cartuchos, hoje desativada, foi uma das principais responsáveis pela ocupação do bairro”, conta Teixeira. Ele conta ainda uma curiosidade da época: “As terras realengas não podiam ser vendidas. Mas os nossos vereadores, acredite, conseguiram vender parte das terras do rei, já naquela época.”

O massacre de Realengo mancha para sempre a história de um bairro tradicional da cidade do Rio, cantado por Gilberto Gil, na música “Aquele abraço”, e por Jorge Benjor, em “W Brasil”. “Em nenhum lugar do Brasil ocorreu episódio semelhante em nossa história. Já tivemos casos de violência e de morte em escolas brasileiras, mas nada comparado a isso”, finaliza Milton Teixeira.      

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