Baixada Fluminense tem 776 pessoas desabrigadas por causa da chuva

Baixada Fluminense tem 776 pessoas desabrigadas por causa da chuva

Atualizado: Sexta-feira, 13 Novembro de 2009 as 12

A chuva deixou até o início da manhã desta sexta-feira (13) 776 pessoas fora de suas casas na Baixada Fluminense. Segundo a Secretaria estadual de Saúde e Defesa Civil, esse foi o número passado pelas prefeituras de Belford Roxo, Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Tanguá e Valença.

Os corpos das três pessoas que morreram por causa do temporal em Nova Iguaçu serão enterrados na tarde desta sexta, no Cemitério de Nova Iguaçu, informou a prefeitura. Elas foram identificadas como José Severiano de Frias, de 48 anos, Marlison José de Frias, de 22, e Jenifer Maria da Silva, de 15, e eram todas da mesma família.

Segundo a Secretaria, Belford Roxo tem o maior número de desabrigados e desalojados: 300 pessoas, sendo seguido por Caxias, Tanguá, a região de Tinguá, em Nova Iguaçu, com cem pessoas e Valença, com 26.

A chuva voltou a atingir a Baixada Fluminense na madrugada desta sexta-feira. Em algumas áreas, a água nem tinha baixado completamente. As ruas ficaram desertas, porque os moradores - que sairam às pressas de casa - ainda não podiam voltar.

A maioria dos desalojados e desabrigados está em locais improvisados como o salão de uma igreja, que recebeu 15 famílias. Outras pessoas procuraram abrigo em casas de parentes.

A prefeitura de Duque de Caxias decretou situação de emergência no município. Um hospital de campanha funcionará a partir de 13h em Belford Roxo. O hospital terá sete leitos, mas o número pode aumentar de acordo com a demanda. No local serão feitos exames de sangue e urina, além de aplicadas vacinas para pessoas que tiveram contato com a água da enchente.

Grande parte dos alojados é de crianças. Elisângela, de 19 anos, veio com os quatro filhos. Ela  teve as primeiras horas de descanso, depois de um dia inteiro tentando recuperar o que a água não levou. Voltar para casa ainda é uma incerteza. ''Quem sabe, só Deus sabe, né? Se não chover, tomara que não chova'', disse.  

Viviane, depois de muitos anos vivendo de aluguel, há um ano e meio tinha comprado a casa que foi alagada. ''Cheguei aqui chorando, desesperada. Mas eles me aceitaram numa boa. Estou aqui até agora. Eu não posso ir pra casa da minha mãe, que também encheu. Da minha irmã também encheu, minha irmã grávida, encheu também'', revelou.

No abrigo eles recebem roupa de cama, colchonetes, material de higiene pessoal e alimentação. Tudo o que foi arrecadado é resultado do esforço de voluntários. Gente da própria comunidade que faz parte de um projeto criado exatamente para auxiliar em situações como esta.

Rios transbordaram

Segundo o líder comunitário Josias Viana, são 1,2 mil voluntários, acionados por rádio. No grupo também há pessoas que sofreram as consequências da chuva.

Andrelúcia Castro teve que deixar a casa. Os filhos ficaram com a mãe dela, enquanto a voluntária ajuda os vizinhos. ''A gente é treinada o ano todo pra isso e na hora que tá numa situação de perigo a gente não pensa em outra coisa a não ser ajudar''.

Os temporais fizeram com que quatro grandes rios da região transbordassem. Isolou famílias e produziu cenas dramáticas. Uma senhora que passava mal foi levada até a ambulância num trator. Na porta de casa, uma moradora pedia socorro enquanto uma cobra passava bem perto.

Moradores chegaram a carregar um bebê numa banheira de plástico no meio do alagamento. Até a carcaça de uma geladeira foi transformada num bote, para uma família escapar da enchente.

Uma moradora perdeu tudo, pela segunda vez. ''Continuar a mesma rotina né? Tem que limpar tudinho e continuar. Agora tem que batalhar pra construir outra casa que a minha já é velha, não aguenta mais não'', disse ela.

Imagem: Correio do Brasil

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