Balanço da PM aponta 18 presos e 860 abordagens na Cracolândia

Balanço da PM aponta 18 presos e 860 abordagens na Cracolândia

Fonte: Atualizado: sábado, 31 de maio de 2014 09:17

Balanço da Polícia Militar divulgado na manhã desta sexta-feira (6) aponta que 18 pessoas foram presas na região da Cracolândia, no Centro de São Paulo, desde o início da Ação Integrada Centro Legal, realizada desde terça-feira (3).

Até as 6h desta sexta foram realizadas três prisões por tráfico de drogas e uma prisão por receptação. Quatorze condenados pela Justiça foram recapturados. Foram realizadas ainda 860 abordagens policiais, 73 abordagens sociais e quatro encaminhamentos para hospitais.

No período, houve 137 abordagens de agentes de saúde. Não houve encaminhamento de pacientes para tratamento de saúde mental. O balanço contabiliza nove encaminhamentos para serviços de saúde e quatro encaminhamentos para porta de entrada dos serviços de saúde. Na quarta-feira (4), a Prefeitura informou que, por vontade própria, ao menos 23 crianças procuraram ajuda em uma unidade de saúde.

Segundo a PM, o objetivo inicial é coibir o tráfico e depois abrir espaço para o trabalho de assistentes sociais. Ainda de acordo com a corporação, as ações na Cracolândia serão desenvolvidas de maneira permanente, "não havendo, assim, previsão para o término".

Três fases

A PM diz que a ação na Cracolândia é dividida em três fases. A primeira será de atuação da polícia contra o tráfico de drogas em conjunto com uma operação de zeladoria da Prefeitura em casarões e ruas.

A PM estima que dentro de 30 dias após a prisão de traficantes e o restabelecimento da ordem na região se inicie a segunda fase, com a participação de assistentes sociais e agentes de saúde, que farão o encaminhamento dos dependentes químicos para albergues, Assistência Médica Ambulatorial (Amas) e, se preciso, internação para tratamento e reinserção social.

A terceira e última fase - considerada a mais difícil -  é a de manutenção deste cenário, para que os dependentes possam se recuperar plenamente. A intensificação da Ação Centro Legal, iniciada há dois anos e meio, começou a ser planejada entre outubro e novembro de 2011, através de reuniões da PM com o governador Geraldo Alckmin, secretários estaduais, municipais e o prefeito Gilberto Kassab.

Faxina

Em dois dias de operação, também foram recolhidas 14,5 toneladas de resíduos espalhados pelas principais vias da região da Cracolândia, segundo a assessoria de comunicação da Prefeitura. Além da retirada de entulho, bueiros e ruas da região passaram por uma lavagem completa. Para tanto, foram utilizados nove veículos entre caminhões pipa, coletores e tratores com pá carregadeira.

Cavalaria da PM ocupou ruas da região da Cracolândia nesta quarta-feira (Foto: Mario Angelo/Sigmapress/AE) Kassab

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, considerou nesta quarta-feira “um avanço” a ação que acontece na Cracolândia. “[Ação] não é enxugar gelo. São pessoas dependentes, doentes. Já é um avanço estarem em uma região que tem polícia, que passará diariamente por processo de limpeza urbana, uma região em que as pessoas sabem que têm a possibilidade de serem encaminhadas para equipamentos adequados, onde serão submetidas a tratamento”, afirmou o prefeito.

Para Kassab, o grande desafio é convencer as pessoas a aceitarem tratamento especializado para abandonar o uso das drogas. “[O convencimento] é o grande desafio da humanidade nos grandes centros urbanos. Felizmente, a Prefeitura, nos últimos tempos, tem conseguido ser feliz na abordagem. Cada vez mais ela consegue levar as pessoas para tratamento”, declarou.

De acordo com o prefeito, dezenas de agentes de saúde trabalham na região central para tentar convencer os dependentes a aceitarem tratamento. Quanto à estrutura, Kassab afirmou que os dependentes poderão contar com centenas de leitos alugados em unidades particulares, além da estrutura do governo estadual e federal.

Migração

De acordo com o tenente Flávio Martinez, a migração era esperada, por isso, o policiamento foi intensificado em toda a região da Nova Luz, Santa Cecília e Campos Elísios. Nas abordagens, a polícia verifica se a pessoa porta entorpecentes e a situação criminal. “Se não tiver nenhuma dúvida a respeito, a polícia libera para a Prefeitura atuar”, afirmou.

O tenente-coronel Wagner, que comanda a operação, disse que nesta primeira fase o trabalho é basicamente da polícia. “O objetivo é intimidar os traficantes e tirar a ameaça que dificulta o trabalho do poder público. A ação por si só vai inibir o tráfico e isso vai provocar abstinência. Nessa fase, entra a necessidade do socorro, do tratamento.”          

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