Barracos são derrubados em área de risco na Zona Sul de SP

Barracos são derrubados em área de risco na Zona Sul de SP

Atualizado: Sexta-feira, 21 Janeiro de 2011 as 4:17

Os moradores da Favela do Tubo, no Jardim Maringá, Zona Sul de São Paulo, começaram a desocupar suas casas no início da tarde desta sexta-feira (21) depois de receberem a garantia de que as famílias desabrigadas receberão auxílio-aluguel. Por volta das 14h, o primeiro barraco foi destruído sob olhares de curiosos.

A Prefeitura começou nesta sexta um processo de desocupação de 84 casas localizadas na região, por onde passa um córrego, que é de alto risco de enchentes. Com a chegada das máquinas, os moradores se revoltaram e chegaram a construir barricadas na tentativa de impedir a entrada do trator responsável pela demolição dos barracos. Houve bate-boca com os guardas-civis que acompanhavam a remoção.     Porém, depois de uma comissão de moradores receber a garantia de que as famílias desabrigadas receberão auxílio-aluguel, a desocupação começou, de forma pacifica. Quem não tiver para onde ir será encaminhado para um abrigo da Prefeitura. Até as 15h, não havia registro de conflitos, de acordo com o inspetor da Guarda Civil Metropolitana Antônio Carvalho Silva.

“O subprefeito Valdir Ferreira [da Capela do Socorro] fez uma carta de próprio punho garantindo aluguel social para quem deixar suas casas”, afirmou o cobrador de ônibus Roberto Guedes, que é líder de uma associação de moradores e dono da primeira moradia que foi derrubada. Em nota emitida pela Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, o pagamento do auxílio começa na próxima semana.     Sofrimento

Os moradores da Favela do Tubo afirmam que há anos sofrem com as enchentes. A dona de casa Clemilde Silva Rocha, de 46 anos, vivia na região havia 40 anos. “A última vez em que a água subiu foi quarta-feira (19). Cada vez que tem enchente, eles trazem um colchão e um cobertor bem fininho”, contou. Ao saber do auxílio da Prefeitura, ela acabou de organizar seus pertences em caixas de papelão e sacos improvisados com lençóis. “Ainda não sei onde é esse abrigo.”

Uma boliviana que se identificou apenas como Marta Elizabete, que mora há 15 anos no Brasil, sendo dois deles no Jardim Maringá, disse que vai procurar ajuda de amigos. “Parentes eu não tenho aqui no Brasil”, afirmou. “A casa é minha, mas tem muita enchente. Quando chove, a água chega na cintura”, afirmou, enquanto pegava uma caixa de papelão para organizar seus pertences.    

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