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"Barraqueiros" do RJ começam a vender pelo celular

"Barraqueiros" do RJ começam a vender pelo celular

Atualizado: Sexta-feira, 28 Agosto de 2009 as 12

O percurso que abrange as mais famosas praias da cidade do Rio de Janeiro (Leme, Copacabana, Arpoador, Ipanema, Leblon, São Conrado, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Praia do Pontal), com cerca de 35 quilômetros de extensão, é alvo de uma das ações mais interessantes do Sebrae(RJ): a Rede Ello Empreendedor.

Eternizado na música do cantor e compositor Tim Maia, ''Do Leme Ao Pontal'', o trajeto envolverá até o verão carioca 2010/2011 os 2.000 ambulantes da orla. Por enquanto, 50 deles participam do piloto. Na Rede Ello Empreendedor, lançado em julho último, os clientes cadastrados pagam suas contas nas barracas utilizando o celular. O projeto também tem a parceria da Associação Comercial do Rio de Janeiro.

''Pesquisamos todo o universo que envolve a economia desses barraqueiros. Vimos como eles vivem, como vendem, como compram, quem são seus fornecedores'', diz o Amauy Cabral, da Neuralnet, responsável pela plataforma tecnológica do projeto, que apresentou o projeto durante o ''Momento Sebrae'', no Congresso de Cartões e Crédito ao Consumidor - C4 2009, que transcorre em São Paulo. O C4 é o maior evento latino-americano na área de cartões de crédito e crédito direto ao consumidor.

A pesquisa descobriu, segundo ele, que o tempo médio de vida daqueles negócios fica em torno de 10 anos; que o faturamento mensal é de cerca de R$ 10 mil e a principal fonte de abastecimento são os supermercados e os distribuidores.

Do lado do cliente, a pesquisa mostrou uma relação de amizade e confiança entre o barraqueiro e o cliente. ''Descobrimos que os clientes freqüentam sempre a mesma barraca. O barraqueiro guarda celular, cartão de crédito e até toma conta dos filhos dos clientes'', disse o especialista.

O problema, afirma, é que o cliente tem seus gastos limitados pela quantidade de dinheiro que traz para a praia. Sentem-se inseguros em levar cartão de crédito e têm medo de levar muito dinheiro. Já os fornecedores vêem à praia como um grande elemento de escoamento de produtos, mas não concedem vender diretamente e não dão prazo de pagamento, já que a maioria dos barraqueiros tem apenas, como formalização, uma licença da prefeitura.

O objetivo da Rede Ello é aumentar o faturamento das barracas entre 20% e 30%, reduzir os custos dos barraqueiros, facilitar o acesso ao crédito e reduzir a informalidade. ''Os barraqueiros do piloto farão um primeiro módulo de cursos do Sebrae. Queremos que eles se descubram como empresários e principalmente que entendam que a situação econômica deles irá mudar. Começarão a receber em 30 dias e terão um fluxo de caixa controlado'', diz Amaury Cabral.

Central de Negócios

Segundo Marcelo Weber, do Sebrae/RJ, os ambulantes envolvidos no projeto já participaram de uma primeira reunião de sensibilização para a criação de uma central de negócios, com o objetivo de realizarem compras conjuntas, diminuindo os custos e aumentando o poder de negociação diretamente com as indústrias. 

O projeto prevê também o credenciamento de hotéis da orla. ''Queremos que esses hotéis façam o credenciamento dos seus clientes, que poderão consumir nas barracas com tranqüilidade, sem precisar levar dinheiro ou cartão de crédito''.

Além disso, diz Weber, outro objetivo é expandir a automação para as demais micro e pequenas empresas do Estado do Rio de Janeiro, principalmente as regiões onde está sendo implementado o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

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