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Battisti ligou para as duas filhas na França após ser solto, diz advogado

Battisti ligou para as duas filhas na França após ser solto, diz advogado

Atualizado: Sexta-feira, 10 Junho de 2011 as 1:48

O ex-ativista italiano Cesare Battisti ligou para as duas filhas, na França, e para o irmão dele, que mora na Itália, nas primeiras horas após a liberdade concedida na madrugada desta quinta-feira (9). Os telefonemas foram feitos do escritório do advogado dele, Luiz Eduardo Greenhalgh, em São Paulo. "Ele se emocionou ao falar com as meninas, de 12 e 16 anos, e depois com o irmão."

Ele deixou o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, às 00h07 desta quinta-feira, e seguiu para um hotel de Brasília, onde tomou banho e dormiu algumas horas. O alvará de soltura foi expedido após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou o recurso com pedido de extradição de Battisti. "Eu mesmo só recostei por duas horas, tamanha era a tensão do momento. Ele ficou no mesmo hotel onde eu estava hospedado. Disse que ele poderia ficarm no Distrito Federal, em São Paulo ou no Rio de Janeiro, onde ele mantém relações sociais. Ele preferiu ficar em São Paulo."

Diante da opção do cliente, o advogado disse que enviou um documento para a empresa aérea, se responsabilizando por Battisti durante a viagem. "Ele está sem documentos, tem apenas um alvará de soltura. Os documentos dele só ficarão prontos entre 15 a 20 dias. Ele vai receber o Registro Nacional de Estrangeiros e a Carteira de Trabalho."

Greenhalgh afirmou que Battisti não está eufórico pela liberdade, mas que aparenta estar focado na retomada de sua vida no Brasil. "O principal objetivo dele é conversar com a revisora de seu livro e concluir os capítulos que ainda faltam para concluir a obra. Ele quer aproveitar esses 15 a 20 dias do prazo para sua documentação sair para escrever o que falta."

Antes das ligações para as filhas e para o irmão, Battisti esteve na casa do advogado, em São Paulo, onde tomou banho e almoçou. De lá, seguiu para o escritório de Greenhalgh. "Estou providenciando a cópia da carteira de habilitação francesa dele [Battisti] para que ele possa ter algum documento com foto até os documentos ficarem prontos", explicou o advogado.

Se obtiver visto permanente, Battisti poderá continuar legalmente no Brasil. Ele ficou preso no Brasil por mais de quatro anos e atualmente está sem passaporte ou visto de autorização para permanecer no país. "Foi a maior prisão preventiva da história do judiciário brasileiro. Battisti ficou 4 anos e 2 meses presos. Isso nunca havia acontecido com estrangeiro aqui no país", disse Greenhalgh.

Governo italiano

O Ministério de Assuntos Exteriores da Itália convocou nesta sexta-feira (10), para consultas, o embaixador da Itália no Brasil, Gherardo La Francesca. A decisão, segundo o ministério, está relacionada à decisão do STF de negar a extradição de Battisti, e tem caráter temporário.

Roma pede a extradição de Battisti por quatro supostos assassinatos e cumplicidade em assassinato.

A medida foi tomada para "aprofundar, conjuntamente com as autoridades competentes, os aspectos técnicos e jurídicos relacionados com a aplicação de acordos bilaterais existentes, visando a iniciativas e recursos ante as instâncias judiciais internacionais", acrescentou o comunicado no site da chancelaria.          

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