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Battisti mantém esperança de ser solto, diz deputado

Battisti mantém esperança de ser solto, diz deputado

Atualizado: Quarta-feira, 18 Maio de 2011 as 10:09

?> O ex-ativista italiano Cesare Battisti

(Foto: Globo News/Reprodução)

?> Quatro anos e dois meses depois de ter sido preso no Rio de Janeiro, o ex-ativista de esquerda Cesare Battisti tem a esperança de ser libertado, de acordo com o deputado federal Domingos Dutra (PT-MA), que esteve com o italiano na tarde desta terça-feira (17), no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

“Ele está agitado, nervoso, mas senti nele mais esperança do que quando estive lá há cerca de 2 anos. Apesar do nervosismo, ele está com aspecto físico melhor”, afirmou o deputado.

Condenado à prisão perpétua pela Justiça italiana por ter supostamente participado de quatro assassinatos na década de 70, Battisti está preso no Brasil desde 18 de março de 2007.

Dutra, outros três parlamentares e quatro ativistas de um grupo de defesa da liberdade do italiano passaram cerca de 20 minutos com Battisti. A lista dos que pediram autorização ao gabinete do relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, tinha inicialmente 27 nomes, entre deputados, senadores e apoiadores de Battisti.

A lista foi reduzida a pedido da defesa de Battisti que, segundo o deputado Domingos Dutra, busca “evitar incidentes”. Por isso, também há restrição a entrevistas.

No encontro, de acordo com relato do deputado, o ex-ativista italiano falou sobre a solidão da cadeia, a falta de dinheiro e a dificuldade de contato com o mundo fora da prisão. Segundo Dutra, o grupo não precisou passar pela revista usual do presídio, mas esses “constrangimentos” tem sido um problema para o italiano.

“Ele [Battisti] falou que tem dificuldade de receber visitas por causa dos constrangimentos previstos pela segurança da cadeia. Comentou também que está sem dinheiro para pagar ligações telefônicas, principalmente as internacionais. As visitas de entidades e militantes precisam ser autorizadas pelo STF. Ele fica na solidão. É através das visitas que ele tem acesso a jornais, livros.”, contou o deputado.

?> Manifestantes com faixa pediram a libertação do italiano Cesare Battisti à presidente Dilma Rousseff quando ela deixava o Câmara dos Deputados, no último dia 2 de fevereiro (Foto: Débora Santos/G1) Em novembro de 2009, o STF tinha autorizado, por 5 votos a 4, a extradição do italiano, mas os ministros deixaram a palavra final para o presidente da República.

No dia 31 de dezembro de 2010, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou o pedido de extradição do ativista feito pelo governo italiano. O governo da Itália pediu que a decisão de Lula fosse analisada pelo Supremo e o caso foi reaberto em janeiro deste ano.

Expectativa

Durante a conversa com os parlamentares, ele falou sobre a expectativa de ser libertado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no último fim de semana. Na sexta-feira (13), a defesa do italiano fez um pedido de relaxamento de prisão ao STF.

Por um erro de distribuição do tribunal, o requerimento foi distribuído ao ministro Marco Aurélio Mello, que chegou a escrever a decisão, que não foi publicada.

“O estado dele é de ansiedade e nervosismo muito grande. Ele estava na expectativa de ser libertado. Cesare não consegue entender porque outros italianos que participaram dos mesmos episódios políticos que ele estão no Brasil, tiveram apoio do governo brasileiro, e com ele a Itália faz toda essa pressão política”, relatou o deputado petista.

Na segunda-feira (16), o relator do caso no STF, ministro Gilmar Mendes, negou mais uma vez o pedido de liberdade de Battisti. Essa é a segunda vez que a defesa pede a soltura do ex-ativista.

Articulação

Questionado pelos parlamentares, Battisti concordou que seria conveniente que deputados e senadores preocupados com sua situação pedissem uma audiência com o relator do caso no Supremo, ministro Gilmar Mendes.

A razão do encontro seria a expectativa de que o caso deve ser julgado pelo plenário do STF nas próximas semanas. Na decisão que negou a liberdade a Battisti, Mendes afirmou que a análise do processo estava concluída e que o levaria à pauta “em breve”.

O deputado disse ainda temer pela vida de Battisti, caso ele seja extraditado. “Nós da bancada petista temos que defender a decisão do presidente Lula. Se ocorrer o pior, [Silvio] Berlusconi [primeiro-ministro italiano] vai tê-lo como um troféu eleitoral. Tememos pela vida dele. Já houve ameaças”, afirmou o deputado petista.

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