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Bebê baiano que fez cirurgia cardíaca em SP é enterrado em Salvador

Bebê baiano que fez cirurgia cardíaca em SP é enterrado em Salvador

Atualizado: Quarta-feira, 21 Setembro de 2011 as 12:58

Pais levam corpo da criança para sepultamento

(Foto: Reprodução/TV Bahia)

  O corpo do bebê baiano Cauê Ribeiro, que morreu vítima de uma doença cardíaca rara chamada hipoplasia, foi enterrado na manhã desta quarta-feira (21), no cemitério Quinta dos Lázaros, em Salvador.

Com menos de dois meses de vida, a criança não resistiu à recuperação da cirurgia de alta complexidade realizada em São Paulo, para onde foi transferido no dia 6 deste mês. Cauê nasceu na capital baiana, no dia 31 de julho. Dias depois, médicos descobriram que ele sofria de má formação cardíaca.

Muito emocionada, a mãe Tâmara Vieira, de 24 anos, contou que vai tentar se recuperar da perda do filho ajudando outras crianças que sofrem com a mesma doença. "Lá em São Paulo, fui convidada para abrir um núcleo da ONG Pequenos Corações aqui em Salvador. Assim eu vou lembrar de Cauê a cada sorriso de outras crianças", disse.

O corpo do bebê chegou ao aeroporto de Salvador por volta das 2h desta quinta-feira, por meio de custeio da Secretaria de Saúde da Bahia. O velório começou por volta das 9h30, reunindo dezenas de pessoas no Cemitério Quinta dos Lázaros.

"Nossa missão agora será ajudar outras crianças. Isso é que vai nos ajudar", dise o pai de Cauê, que também acompanhava comovido a despedida do filho.   A criança morreu por volta do meio-dia de segunda-feira (19) no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, onde esteve internado. O bebê foi operado no dia 8 de setembro e, embora o procedimento tenha sido considerado complexo, os médicos ficaram otimistas sobre sua recuperação.

A expectativa dos especialistas e da família era de que ele continuasse a reagir bem ao pós-operatório e passasse por uma nova cirurgia quando completasse quatro meses de vida.

O caso

Cauê tinha uma doença rara no coração, chamada hipoplasia do ventrículo esquerdo. O lado esquerdo do coração dele era menor do que o direito, o que impedia que o sangue fosse bombeado para o restante do corpo. O pai, Alessandro Lima Ribeiro, contou que o problema de saúde só foi detectado no segundo dia de vida do bebê. "Minha mulher teve uma gravidez super tranquila, os exames não apontaram nada disso", afirmou. O menino foi transferido no dia 6 de setembro para São Paulo.

Alessandro lembrou que quase 48 horas depois do parto cesáreo, realizado no dia 31 de julho, o casal se aprontava para deixar a maternidade do Hospital Português, em Salvador, quando a criança começou a apresentar sintomas de insuficiência cardíaca, ficando com o corpo roxo e falta de ar.

"Minha mulher e Cauê já tinham recebido alta, inclusive, ele tinha mamado normalmente. A médica até hoje não sabe como ele encontrou forças para isso diante desse problema tão grave no coração. Quando vi ele daquele jeito, chamei os médicos e ele foi levado direto para a UTI", relatou.

A cardiopediatra Zilma Verçosa, que fez o diagnóstico da doença em Cauê, explicou que a hipoplasia poderia ter sido detectada através de um exame chamado ecocardiograma fetal. "A melhor maneira de se transportar uma criança nessas condições é na barriga da mãe, antes dela nascer", explica. A especialista acrescentou que a maneira correta de tratar crianças com hipoplasia é quando elas já nascem em uma unidade especializada e passam por cirurgia nas primeiras horas de vida.

Segundo o pai de Cauê, na ultrassom morfológico, exame que apontaria a necessidade do ecocardiograma fetal, não houve indicação de que a mãe teria de passar por um novo exame. Alessandro e Tâmara não sofrem de doença cardíaca.

Luta por transferência

Cauê nasceu no Hospital Português, em Salvador, e assim que teve o problema detectado foi solicitada a transferência dele para o Hospital Santa Izabel, que também fica na capital baiana, e atende pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O bebê só foi transferido para a unidade de saúde no dia 30 de agosto, mas o hospital não tem estrutura para a cirurgia.

A médica que cuida do bebê conseguiu uma autorização para fazer o procedimento no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, e a Secretaria Estadual da Saúde da Bahia cedeu uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) aérea. Como o plano do menino não cobre a cirurgia em outro estado, ele precisaria ter o nome incluído na Central Nacional de Regulação da Alta Complexidade (CNRAC), e fazer o procedimento pelo SUS. No dia 1º de setembro Cauê conseguiu ter o nome incluso no CNRAC.          

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