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Bebê resgatado em valão no RJ começa dieta com leite

Bebê resgatado em valão no RJ começa dieta com leite

Atualizado: Segunda-feira, 21 Fevereiro de 2011 as 1:03

O recém-nascido resgatado de um valão no município de Queimados, na Baixada Fluminense, começou a se alimentar com leite, nesta segunda-feira (21). Embora ainda esteja no soro, o bebê já respira desde sexta-feira (18) sem o auxílio de aparelhos e vem apresentando melhora considerável em seu quadro geral. Ele está internado na UTI neonatal da Maternidade Mariana Bulhões, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

De acordo com os médicos, o menino está estável. Ele ainda precisa tomar antibióticos por mais seis dias, já que contraiu uma infecção por ter ficado em contato com água de um valão onde havia esgoto. A previsão é de que ele ainda permaneça hospitalizado por mais 10 a 15 dias, até estar completamente recuperado.

'Moisés'

O bebê, de 50 centímetros e com 2.540 kg, está sendo chamado pelos médicos de Moisés (salvo das águas). Segundo informações da equipe médica, o menino chegou à maternidade muito agitado e chorando muito, mas amanheceu muito mais tranquilo no dia seguinte. Quando receber alta, o menino será encaminhado pelo Conselho Tutelar de Queimados para um abrigo, onde deve entrar na fila de adoção.   Emoção no resgate

"A gente se sente recompensado de tirar o bebê com vida daquele lugar", resumiu o cabo Luciano de Oliveira Andrade, de 32 anos, que resgatou o recém-nascido do valão com a ajuda do cabo Leandro da Rocha Martins, 31. Os dois policiais militares do 24º BPM (Queimados) ainda custam a acreditar no que aconteceu.

Segundo o cabo Luciano, os PMs e um vizinho conseguiram resgatar o bebê após serem chamados por volta das 8h de quinta por uma vizinha que teria visto a criança dentro do valão. "Ficamos felizes em saber que o bebê está bem, sob cuidados médicos, porque ele deve ter passado várias horas, a madrugada dentro daquela água suja", disse o PM.

Ao se lembrar dos momentos do resgate, o policial se emocionou. "Ficamos andando de um lado para o outro, tentando avistar o bebê que a vizinha disse ter visto por perto, e nada. Uns 15 metros a frente, a gente escutou o choro da criança e corremos para resgatá-la. Ela chorava muito e estava presa naquela sujeira. Foi um galho de árvore que segurou o bebê naquela correnteza", contou.     "Naquela hora você não pensa em mais nada, só em levar ele dali. Ele estava dentro de um saco plástico ainda com placenta e o cordão umbilical. Uma vizinha correu com uma toalha e enrolamos a criança para levá-la para o hospital", disse o cabo Luciano, que está há quase 9 anos na Polícia Militar, mas nunca passou por "nada parecido com isso". "Nem eu, nem o cabo Leandro", completou o cabo Luciano sobre o colega que está há 9 anos na corporação.

Polícia investiga o caso

A polícia esteve no local onde o bebê foi resgatado para colher pistas e informações que possam levar a identificar a mãe da criança. De acordo com o delegado Niandro Ferreira Lima, titular da 55ª DP (Queimados), a suspeita é de que ela more perto da ponte de onde o recém-nascido foi jogado. "Estive no local e tem trilha de sangue perto da ponte, mas ela se perde em determinada distância. Conversamos com alguns moradores e acreditamos que a pessoa seja da própria redondeza e que o parto tenha sido feito em casa", disse o delegado na semana passada.

Segundo ele, a mãe poderá responder por tentativa de homicídio qualificado, cuja pena varia de 12 a 30 anos de prisão.    

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