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Beira de estrada de Itaipava vira acampamento de desabrigados no RJ

Beira de estrada de Itaipava vira acampamento de desabrigados no RJ

Atualizado: Quinta-feira, 13 Janeiro de 2011 as 2:45

Muitos moradores de Itaipava, em Petrópolis, na Região Serrada do Rio, que tiveram suas casas invadidas pela água da chuva passaram a noite ao relento, dormindo na rua, embaixo de chuva. A beira da estrada que o distrito a Teresópolis serviu de acampamento para esses desabrigados, entre eles, mulheres, idosos e crianças, que dormiram no canto da rua coberta de lama.

Uma dessas vítimas da tragédia é Kelly do Couto, 22 anos, que trabalha como atendente de uma padaria e recebe R$ 400 por mês. Suja de lama e com muita fome – em dois dias comeu apenas um prato de macarrão oferecido por uma igreja -, ainda assim ela agradecia a Deus por ter conseguido salvar o filho David, de apenas um ano. Ela levou a criança para a casa de uma família, que ofereceu abrigo para o menino.

“Foi um milagre ter conseguido sair a tempo. A água começou a invadir a casa e logo alagou. O rio passa aqui perto e veio aquela explosão que derrubou paredes e tetos de muitas casas. Meu filho sofre de bronquite e está com muita febre, mas está salvo”, disse, sem esconder a emoção.   'Perdi tudo, agora estou na rua', diz morador

Outra que passou a noite dormindo em uma barraca improvisada na beira da estrada , no bairro Benfica, foi Jorgete Custódio, 42, que também conseguiu sair da casa com a filha, de 21, antes do desabamento.

“A força da água e a lama foram destruindo tudo dentro da minha casa. Quando olhei para trás e vi o estrago chorei muito. Não tinha mais nada. Em poucos minutos perdi tudo e agora estou aqui na rua”, lamentava.

A técnica de enfermagem Vera Lúcia Costa, 49, lembra que, por pouco, não aconteceu uma tragédia maior, com a morte de três crianças que estavam trancadas em casa.   “Gabriel, de 3 anos, Pedro, de 1, e Eduarda de 5, conseguiram sair com a ajuda dos vizinhos, que colocaram um pedaço de pau para que eles saíssem pela janela do segundo andar da casa. Foi um desespero”, conta.

Os desabrigados da beira da estrada contam com a ajuda de motoristas, que param para distribuir água ou algum alimento. “O pessoal que está recolhendo doações passam aqui direto, não deixam nada pra gente. Dizem que a prioridade é o pessoal lá do Vale do Cuiabá, onde a situação é mais grave. Mas nós também somos vítima dessa tragédia, ou não?”, questiona Vera.

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