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BH tem pontos fracos para abrigar grandes eventos

BH tem pontos fracos para abrigar grandes eventos

Atualizado: Sexta-feira, 4 Junho de 2010 as 10:50

O desafio imposto à organização de Belo Horizonte para sediar um acontecimento do porte da Copa do Mundo pode ser medido mais claramente nos bastidores dos inúmeros eventos que ocorrem anualmente no município – muito menores que os esperados para o Mundial de 2014. Com experiência em atividades culturais nos espaços públicos de BH, como o Festival Internacional de Teatro (FIT), a produtora Tina Vasconcelos acredita que a capital precisa melhorar muito nos próximos quatro anos. “Há ainda falta de preparo dos envolvidos para fazer as coisas acontecerem. Uma dificuldade imensa é o déficit de prestadores de serviços. BH está carente de empresas especializadas. No início do ano, quando promovemos um grande evento na Pampulha, precisamos de grades para limitar os espaços. Tivemos que buscar em São Paulo”, exemplifica.

Segundo a gerente de Regulação Urbana da Regional Pampulha da Prefeitura de BH, Míriam Terezinha Leite Barreto – responsável pela área que abriga o Mineirão e portanto estará no coração dos eventos de 2014 –, a maior dificuldade está na falta de articulação entre os órgãos. “Um produtor chega com toda a documentação para um evento, diz que já avisou a PM e o Corpo de Bombeiros, e nós temos que aprovar. No entanto, não temos desses militares um retorno de como foram as vistorias, o que será feito depois dos shows ou até mesmo antes”, reclama, para completar: “Se a própria regional não procurar esse retorno, ficamos sem as informações”.

De acordo com Míriam, a legislação que rege os eventos em BH é de 2005 e precisa ser reformulada. “Essa falta de articulação é falha da própria lei. A aprovação do Corpo de Bombeiros, por exemplo, é dada horas antes de um show. O prazo de licenciamento dado pelas regionais é de no máximo dois dias úteis. Esse tipo de coisa tem que ser bem analisada, com tempo maior”, comenta.

A gerente fala com conhecimento de quem administra cerca de 50% dos eventos de BH, que são realizados na região, à proporção de sete a oito fixos por semana, entre os quais a feira do Mineirinho e de automóveis, no Mineirão, além dos jogos. Uma sobrecarga que levou o prefeito de BH, Marcio Lacerda, a criar por decreto, em 25 de maio, comissão para estabelecer regras especiais para as atividades na Área de Diretrizes Especiais (ADE) Pampulha. “A comissão ainda será nomeada e terá 90 dias para criar algumas condicionantes para eventos na região”, afirma Míriam.

Segundo o gerente de Eventos da Regional Pampulha, Cláudio Augusto de Souza, até o fim do ano, já estão programadas 16 corridas para a orla. “A Praça Nova é sempre a mais procurada para as atividades. No ano passado, tivemos alguns problemas com os grandes eventos. Quando houve limitação para festas na Praça da Estação, eles vieram para cá. A Pampulha é o local apropriado, mas ainda falta estrutura. Para o ciclismo, por exemplo, não há uma área reservada. Há bicicletas até no meio dos carros e, às vezes, há até atropelamentos.” Segundo Míriam Barreto, a comissão criará condicionantes para que eventos sejam feitos na regional que será mais diretamente influenciada pelos jogos de 2014.

Exigências

Embora os mecanismos para autorização para grandes eventos tenham de ser aprimorados, os produtores já têm de atender a uma série de exigências da PBH. O gerente regional de Regulação Urbana Centro-Sul, William Nogueira, explica que, para promover uma atividade pública na região mais movimentada da cidade, é necessário o licenciamento do município. “É feito primeiro um pré-agendamento, em que o solicitante vai informar data, local, horário e público estimado. Em seguida, ele apresenta os procedimentos, descreve o tipo de evento, comunica à Polícia Militar e, se a expectativa é de que haja até 500 pessoas, é assinado termo de compromisso em que o organizador se responsabiliza pela limpeza antes e depois. Para públicos superiores a isso, é preciso apresentar uma cópia de contrato de limpeza, serviço de proteção de jardins e instalação de banheiros públicos. Todas as regionais cobram uma taxa de R$ 118,83 pelo espaço, mas existe inserção para entidades sem fins lucrativos.” Para eventos em locais protegidos pelo patrimônio, é preciso comunicar o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico. Se o local escolhido for a Savassi, é necessário acordar com a Câmara de Dirigentes Lojistas. E, em caso de trios elétricos, Corpo de Bombeiros e BHTrans devem ser comunicados.

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