Bombeiro diz aceitar barrado por obesidade se a Justiça decidir

Bombeiro diz aceitar barrado por obesidade se a Justiça decidir

Atualizado: Sexta-feira, 1 Julho de 2011 as 11:06

Leonardo terá que passar por uma nova avaliação

(Foto: Greice Rodrigues/Arquivo pessoal)

  O comandante geral do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul, coronel Ociel Ortiz, diz que não vai negar, se a Justiça decidir, a matrícula do candidato que obteve liminar para prosseguir no processo de seleção mesmo com índice de massa muscular (IMC) acima do previsto.

Entretanto, o coronel alerta que aguarda a análise do mérito do mandado de segurança. “Nós vamos cumprir a decisão da Justiça. Se ela determinar, ele será matriculado no curso de formação”, disse.     Leonardo Rodrigues de Oliveira foi reprovado na avaliação médica do concurso dos bombeiros por ter IMC sete pontos acima do exigido, que é de 28. Ele obteve liminar para continuar o processo de seleção: ficou entre os 87 candidatos remanescentes e aguarda convocação.

Em entrevista ao G1 , o coronel defende a adoção do IMC e diz que o critério consta como exigência em concursos para o Corpo de Bombeiros em vários outros estados brasileiros. “Quando se elaborou essa legislação do bombeiros, nós fizemos uma pesquisa em nível nacional. Foi analisada toda a lei de inclusão de outras corporações e provavelmente esse IMC é colocado em vários outros estados”, diz Ortiz.

Novos exames

De acordo com o comandante, será necessário, conforme estabelecido no item de número 18 do edital, que todos os candidatos que ainda não foram chamados refaçam o exame médico e físico.

Ortiz explica que os laudos exigidos aos candidatos têm data de validade e, segundo ele, deverá ser levado em conta que já faz mais de seis meses que eles foram emitidos. Os candidatos, de acordo com o comandante, podem ter sofrido mudanças na saúde.

Diante da possibilidade de realizar novamente os exames, Oliveira se diz preocupado. Afirma que continua praticando exercícios frequentemente, mas os testes físicos exigem uma preparação mais intensa. Entretanto, ele diz que pretende lutar novamente na Justiça para realizar o sonho de ser bombeiro. “Não vou parar não, vou até o final”, diz.

Julgamento

Oliveira aguarda o julgamento do mérito do mandado de segurança que permitiu a ele realizar todas as etapas do processo seletivo. A audiência da 3ª Turma Cível inicialmente estava prevista para 20 de junho, mas, a pedido do relator do processo, foi remarcada para 18 de julho.

Consultado pelo G1 sobre o caso, o advogado e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Mato Grosso do Sul, Carlos Marques, explicou que o mandado de segurança, caso seja deferido pela Justiça, permitirá ao candidato “pular” o IMC se tiver que refazer os testes.

Oliveira diz que sempre frequentou academias e tem grande massa muscular, o que segundo ele influenciou o alto IMC. Ele diz que acionou a Justiça para provar que era capaz de atuar na profissão. Com 1,78 m de altura e pesando 110 kg na época dos exames, o candidato não se considera gordo, mas afirma ter ficado preocupado. "Por causa disso me senti gordo”, desabafa.

Exigência legal

O presidente da comissão organizadora do concurso, André Luiz Godoy Lopes, disse ao G1 que os requisitos estabelecidos no edital constam em uma lei estadual aprovada pela Assembleia Legislativa.

A exigência de novas avaliações, segundo ele, trata-se de uma garantia ao estado de que os candidatos não tiveram alterações na saúde durante o tempo em que aguardaram serem chamados. “O estado não pode se responsabilizar se ele tem um mal súbito no teste físico”, diz Lopes.        

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