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Bombeiros diz que situação em Nova Friburgo "equivale a vinte Bumbas"

Bombeiros diz que situação em Nova Friburgo "equivale a vinte Bumbas"

Atualizado: Segunda-feira, 17 Janeiro de 2011 as 10:42

O comandante do Corpo de Bombeiros, o tenente coronel Willian Vieira, responsável pelos trabalhos no bairro Campo do Coelho, uma das regiões mais afetadas do município de Nova Friburgo, na região serrana do estado do Rio de Janeiro, disse que o resgate de sobreviventes em áreas isoladas pode levar mais alguns dias e que a situação da cidade equivale a "vinte morros do Bumba", em uma referência ao deslizamento que deixou 47 mortos em Niterói, na região metropolitana.

Ele também coordena os trabalhos de localização de vítimas nos bairros Conquista, Prainha, Alto do Vieira, Cardinot e Córrego Dantas. Segundo o comandante, a dificuldade de acesso a esses lugares impede a chegada das equipes de salvamento. - Os bombeiros não conseguem caminhar na lama. Não existe acesso para chegar nesses locais. Sabemos que ainda existem corpos soterrados com uma profundidade acima de sete metros. Mas a prioridade é resgatar as pessoas que estão com vida nas áreas isoladas.

O tenente coronel Vieira participou das operações de resgate na tragédia do morro do Bumba, em Niterói, na região metropolitana do Rio, em abril de 2010. Ele disse que a catástrofe da serra fluminense é uma reunião de mais de vinte situações parecidas com a favela de Niterói.

- Eu tenho aqui vários morros do Bumba espalhados por Nova Friburgo. É um trabalho de formiguinha. Vamos levar muito tempo ainda para resgatar todas as vítimas. Cerca de 85 homens, entre bombeiros, militares e voluntários, compõem as equipes de resgate comandadas pelo tenente coronel Vieira. Helicópteros, máquinas retroescavadeiras e motocicletas reforçam o trabalho de salvamento. Ele diz que sem a ajuda da comunidade, seria impossível chegar às áreas isoladas.

- Não adianta ter maquinário e muitos homens. Os primeiros resgatados ajudam mostrando os pontos onde estão os outros sobreviventes. Se não conseguimos, temos que levar comida e água potável. Nova Friburgo amanhece sem chuva e comércio começa a abrir O tempo amanheceu bom na manhã desta segunda-feira (17) em Nova Friburgo. O sol aparece, mas o céu está parcialmente nublado. Há previsão de pancadas de chuva e trovoadas em áreas isoladas. A mínima registrada nesta madrugada foi de 17 gruas e a máxima prevista é de 28 graus.

O comércio começa a abrir normalmente em algumas ruas do centro do município. Drogarias, lojas de eletrônicos e mercearias abriram as portas por volta das 9h desta manhã, mas muitos estabelecimentos continuam fechados, como os grandes supermercados. A maioria das ruas do centro já estão limpas, mas o trânsito continua alterado por causa das equipes de resgate.

Tragédia das chuvas O forte temporal que atingiu o Estado do Rio de Janeiro na terça-feira (11) deixou centenas de mortos e milhares de sobreviventes desabrigados e desalojados, principalmente na região serrana.

As cidades de Nova Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto foram as mais afetadas. Serviços como água, luz e telefone foram interrompidos, estradas foram interditadas, pontes caíram e bairros ficaram isolados. Equipes de resgate ainda enfrentam dificuldades para chegar a alguns locais.

No final da noite desta sexta-feira (14), a presidente Dilma Rousseff liberou R$ 100 milhões para ações de socorro e assistência às vítimas. Além disso, o governo federal anunciou a antecipação do Bolsa Família para os 20 mil inscritos no programa nas cidades de Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis. Empresas públicas e privadas, além de ONGs (Organizações Não Governamentais) e voluntários, também estão ajudando e recebem doações.

Os corpos identificados e liberados pelo IML (Instituto Médico Legal) são enterrados em covas improvisadas. Hospitais estão lotados de feridos. Médicos apelam por doação de sangue e remédios. Os próximos dias prometem ser de muito trabalho e expectativa pelo resgate de mais sobreviventes.

Em visita à região de Itaipava, em Petrópolis, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que ricos e pobres ocupavam irregularmente áreas de risco e que o ambiente foi prejudicado.

- Está provado que houve ocupação irregular, tanto de baixa quanto de alta renda. Está provado também que houve dano da natureza. Isso não tem a ver com pobre ou rico.    

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