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'Brasil está de luto', diz ministra de Direitos Humanos após ataque no RJ

'Brasil está de luto', diz ministra de Direitos Humanos após ataque no RJ

Atualizado: Sexta-feira, 8 Abril de 2011 as 8:10

A ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, esteve na noite desta quinta-feira (7) no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, onde estão internadas algumas vítimas da tragédia na Escola Municipal Tasso da Silveira . Durante a visita, ela afirmou que o governo prestará toda solidariedade e apoio às famílias.

“O Brasil está de luto. Nossa presença no Rio de Janeiro é símbolo de solidariedade. Eu vim representando a presidente Dilma. O atendimento aqui no hospital é de excelência, mas também está sendo difícil para os profissionais, porque eles receberam muitas crianças já em óbito, durante todo o dia”, disse a ministra.

A ministra ficou cerca de 50 minutos no hospital. De acordo com ela, algumas crianças estão em estado de choque: “Eu acredito que elas (vítimas) estão em estado de choque porque, além da questão dos tiros, também há perda dos colegas”, declarou a ministra, que pretende, ainda, visitar outras vítimas internadas em outros hospitais.

Na saída do Hospital Albert Schweitzer, a ministra Maria do Rosário disse que estará presente nos velórios das vítimas nesta sexta-feira (8): “Esse é um momento de solidariedade. Ninguém pensaria isso no nosso país. É a primeira vez que aconteceu. Nós estamos em choque”, completou Maria do Rosário.

O secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Rodrigo Neves, acompanhou a ministra Maria do Rosário durante a visita: “Essa tragédia sem precedência no país, nos coloca no desafio de fazer um acompanhamento psicológico muito específico nas crianças e nos familiares”, afirmou o secretário.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o governador do Rio, Sérgio Cabral, decretaram luto oficial de sete dias no município e no estado, a partir de sexta-feira (8), em memória das vítimas da tragédia em Realengo.

O ataque

Na manhã desta quinta-feira (7), o colégio foi invadido por um atirador que matou 12 crianças. Wellington Menezes de Oliveira, de 23 anos, atirou contra alunos em salas de aula lotadas, foi atingido por um policial e se suicidou. O crime foi por volta das 8h30. De acordo com polícia, Wellington não tinha antecedentes criminais.

Ele é ex-aluno da escola onde foi o ataque. Seu corpo foi retirado por volta das 12h20, segundo os bombeiros. No início da noite, agentes da Divisão de Homicídios (DH) e peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) fizeram uma perícia na casa de Wellington, em Sepetida, na Zona Oeste. Lá, os policiais apreenderam carcaças de computadores e documentos.

A escola foi isolada, e os feridos foram levados para hospitais. Os casos mais graves foram levados para o hospital estadual Albert Schweitzer, que fica no mesmo bairro. De acordo com a prefeitura, as aulas na escola Tasso da Silveira continuam suspensas na sexta-feira (8).

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INFOGRÁFICO: COMO FOI O ATAQUE

Atirador estava com dois revólveres

A polícia diz que ele portava dois revólveres calibre 38 e equipamento para recarregar rapidamente a arma. Esse tipo de revólver tem capacidade para 6 balas.

Segundo testemunhas, Wellington baleou duas pessoas ainda do lado de fora da escola e entrou no colégio dizendo que faria uma palestra.

De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, ele falou com uma professora e seguiu para uma sala de aula. O barulho dos tiros atraiu muitas pessoas para perto da escola ( Presenciou o caso? Envie fotos e vídeos ao VC no G1 ).

O sargento Márcio Alves, da Polícia Militar, fazia uma blitz perto da escola e diz foi chamado por um aluno baleado. "Seguimos para a escola. Eu cheguei, já estavam ocorrendo os tiros, e, no segundo andar, eu encontrei o meliante saindo de uma sala. Ele apontou a arma em minha direção, foi baleado, caiu na escada e, em seguida, cometeu suicídio", disse o policial ( veja abaixo a declaração, em reportagem do Jornal Hoje ).

Sobrevivente conta como foi

Uma das alunas lembra os momentos de terror na unidade. A menina de 12 anos disse que viu o atirador entrar na escola. Ela estava dentro da sala de aula quando ele abriu fogo contra os alunos:

“Ele começou a atirar. Eu me agachei e, quando vi, minha amiga estava atingida. Ele matou minha amiga dentro da minha sala”, conta ela, que completou: “Ele estava bem vestido. Subiu para o segundo andar e eu ouvi dois tiros. Depois, todos os alunos subiram para suas salas. Depois ele subiu para o terceiro andar, onde é a minha sala, entrou e começou a atirar”.

HIV

O subprefeito da Zona Oeste, Edmar Teixeira, afirmou que Wellington Menezes deixou uma carta em que contava ser portador do vírus HIV. Segundo a Polícia Militar, ele era ex-aluno. Posteriormente, a íntegra da carta foi divulgada, e não havia menção a HIV.

De acordo com o coronel Djalma Beltrami, a carta de Wellington tinha inscrições complicadas. “Ele tinha a determinação de se suicidar depois da tragédia”, contou Beltrami. A carta foi entregue a agentes da Divisão de Homicídios. Conhecido na escola por ser ex-aluno, ele teria entrado sob alegação de que iria fazer uma palestra. Segundo a polícia ele usou dois revólveres, que chegou a recarregar várias vezes.        

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