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Brasil hoje tem 'política externa desassombrada', diz Celso Amorim

Brasil hoje tem 'política externa desassombrada', diz Celso Amorim

Atualizado: Sexta-feira, 5 Novembro de 2010 as 3:50

O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta sexta-feira (5) que a política externa do Brasil no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é "desassombrada". Segundo o ministro, o país ganhou autoestima e não tem "mais medo da própria sombra".

"A nossa política externa é uma política externa desassombrada e de solidariedade. É um país desassombrado porque não tem mais medo da própria sombra", disse.

"Não ficamos nos perguntando se tínhamos excedente de poder para fazer tal ou tal coisa. Fizemos o que nos pareceu correto", afirmou Amorim, durante a cerimônia de formatura da turma "Zilda Arns" do Instituto Rio Branco.

Amorim disse que o Brasil caminha para se tornar uma grande potência e elogiou o critério de Lula para escolha dos embaixadores. "Quero agradecer a confiança que o senhor depositou no Itamaraty. Pela primeira vez, todos os embaixadores que temos se formaram no Rio Branco".

O presidente Lula também discursou na cerimônia e defendeu a política externa que prioriza a relação com países da América do Sul e África. Ele disse ainda que o Brasil não pode crescer sem garantir o desenvolvimento das nações vizinhas e precisa ceder em algumas negociações diplomáticas.

Lula citou o fato de o Brasil ter reajustado o preço do gás comprado na Bolívia e a construção, com recursos brasileiros, de uma linha de transmissão de energia que favorece o Paraguai. "É preciso que a gente aprenda a respeitar os pequenos. [...] Acho que nunca tivemos clima de tranqüilidade e respeito como o que temos com o Paraguai. Não o clima de subserviência, não o clima de senhor de engenho, um clima de confiança. O Brasil compreendeu que não é correto contar piada de argentino, paraguaio, boliviano. Para que a gente cresça é importante que esses países cresçam também", disse.

O presidente afirmou ainda que o Brasil escolheu o "caminho mais difícil" na política externa, de não aceitar todos as posições da Europa e dos Estados Unidos. "É muito mais difícil ter coragem de dizer não. Era mais difícil fazer o que fizemos em Copenhague e não aceitar o sacrifício que a Europa e os Estados Unidos queriam nos impor sem apresentar propostas. Queriam que a gente plantasse árvore para não nos desenvolver."

Para Lula, o país hoje não precisa "pedir favor" de outras nações. "Ninguém é respeitado se não se respeita. O Brasil não deve pedir favor. Licença a gente pede por educação. Mas nada como se fosse favor, é conquista", afirmou.

'País do pré-sal'

Lula disse ainda que os diplomatas formados nesta sexta representarão um país muito diferente do que existia em 2002. De acordo com Lula, o Brasil ganhou respeito no exterior, é admirado e convidado para eventos importantes. Ele destacou a descoberta do pré-sal e a produção de etanol.

"O Brasil não aceita mais, como dizia Nelson Rodrigues, viver com complexo de vira-latas. Vocês vão representar agora o Brasil do pré-sal. Vocês vão representar o país do biodiesel e do etanol", disse. Segundo Lula, o carro elétrico ainda é uma realidade distante. "Eu fui à feira do automóvel, e todos os carros elétricos são protótipos. O único que me mostraram tem que ficar carregando 14 horas para andar 160 quilômetros."

O presidente também fez elogios à presidente eleita Dilma Rousseff e lembrou que ela teve coragem de lutar contra a ditadura quando tinha apenas 17 anos. "O povo pensava, ‘como é que esse Lula que é metalúrgico tem 84% de aprovação. E essa tal de Dilma que nunca fez política’. Pois agora vocês vão ser representados por uma mulher. E não uma mulher qualquer, uma mulher que aos 17 anos colocou as mãos de fora e lutou pelas liberdades democráticas", destacou.

Por: Nathalia Passarinho

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