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Brasil tem 69% da malha rodoviária entre péssimo e regular estado de conservação

Brasil tem 69% da malha rodoviária entre péssimo e regular estado de conservação

Atualizado: Quarta-feira, 28 Outubro de 2009 as 12

Pesquisa divulgada nesta quarta-feira, 27 de outubro, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) sobre o estado de conservação das estradas do país transforma em números uma realidade bastante conhecida dos motoristas brasileiros. A avaliação mostra que 69% da malha rodoviária do Brasil está em péssimo, ruim ou regular estado de manutenção.

Dos 89.552 quilômetros avaliados, apenas 27.713 quilômetros foram considerados em bom ou ótimo estado. "Esses resultados denotam a situação deficiente de uma larga extensão da malha rodoviária e, ao mesmo tempo, representam os grandes desafios que devem ser enfrentados com o objetivo de capacitar a principal infraestrutura de transporte utilizada no país", registra a CNT na conclusão da pesquisa.

Com 9.092 quilômetros - a menor rede de estradas do país -, a região Norte apresenta 93,4% da malha rodoviária entre péssimo, ruim e regular estado. Já o Sudeste, com 25.819 quilômetros avaliados, é a região que possui o maior índice de trechos em bom ou ótimo estado: 45,7%.

Entre os estados, Amazonas e Acre têm os piores índices, com praticamente toda a malha avaliada em péssimo, ruim ou regular. O estudo mostra que São Paulo tem o melhor resultado, com 75,4% de bom e ótimo. Em segundo aparece o Rio de Janeiro (63,4%) e em terceiro Paraná (49,2%).

Lançada em 1995, a pesquisa rodoviária da CNT amplia a quilometragem avaliada em cada edição, o que impossibilita a comparação dos dados divulgados nesta quarta-feira com os números do último levantamento, realizado em 2007, quando 87.592 quilômetros foram estudados - 1.960 quilômetros a menos que o trecho analisado neste ano.

Pesquisa

A pesquisa realizada pela CNT avalia e estipula notas às estradas sob três aspectos: pavimento, sinalização e geometria da via. O ranking dos estados é formado a partir da média dessas notas. No item pavimento, os pesquisadores observam a condição da superfície, o estado do acostamento e a velocidade desenvolvida a partir da qualidade da pista. Na sinalização são observados o estado das faixas centrais e laterais, além da existência e visibilidade das placas no decorrer da rodovia. Já a geometria da pista avalia o perfil da rodovia em trechos com curvas perigosas, e a existência de faixas adicionais e acostamentos.

O levantamento também identifica os pontos considerados críticos, como queda de pontes e de barreiras, erosão da pista e grandes buracos, que comprometem a segurança para o tráfego de veículos. Em toda a malha rodoviária analisada, foram encontrados 78 buracos, 93 pontos de erosão, 18 quedas de barreiras e quatro pontes derrubadas.

Público e privado

O estudo também compara as condições das estradas administradas e mantidas pela União à malha rodoviária gerida pela iniciativa privada a partir de concessões federais e estaduais. Em todos os quesitos analisados, as estradas pedagiadas levam vantagem sobre as rodovias mantidas pelo poder público. As características são analisadas segundo os níveis de conservação, segurança e conforto que são perceptíveis aos usuários da infraestrutura rodoviária.

Analisando em conjunto os dados de sinalização, pavimento e geometria da via, a pesquisa revela que 77,6% da malha rodoviária pública é classificada entre péssimo, ruim e regular. A malha pedagiada tem 23,6% dos trechos nessa classificação. Enquanto 53% da malha rodoviária sob responsabilidade da União e estados não tem acostamento, por exemplo, na malha concedida à iniciativa privada os trechos sem acostamento correspondem a 10,4%. Segundo a pesquisa, 14.215 quilômetros estão sob os cuidados das concessionárias. A malha pública chega a 75.337 quilômetros.

Falta de investimentos

O principal fator responsável pela situação ruim das rodovias, segundo a CNT, é a má gestão dos recursos arrecadados com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Criada para garantir a manutenção da malha viária, a contribuição é utilizada em outras áreas da máquina pública.

Desde 2003, começo do governo Lula, até setembro deste ano, a CNT mostra que foram investidos R$ 23,8 bilhões na conservação das estradas. O valor, apesar de elevado, está longe do ideal considerado pela confederação. Dados divulgados pela CNT mostram que seria necessário o empenho de R$ 32 bilhões para a recuperação da malha rodoviária brasileira.

A CNT afirma que a falta de condições das estradas aumentam em 28% os custos operacionais de transporte no país, em 5% as despesas com combustíveis, além de diminuir a velocidade do transporte e gerar maior poluição.

Obras que poderiam melhorar a infraestrutura, segundo a CNT, estão atrasadas por conta da burocracia pública. A paralisação de obras por parte do Tribunal de Contas da União (TCU) é um fator criticado pela confederação. De 62 obras de infraestrutura fiscalizadas neste ano, o TCU recomendou a paralisação de 26. "De forma conservadora, estima-se um aumento de R$ 745,5 milhões no custo operacional do transporte rodoviário de cargas a cada ano, devido ao atraso destas obras", avalia a CNT na pesquisa.

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