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Brasil tem condições de ajudar nos conflitos árabes, diz Celso Amorim

Brasil tem condições de ajudar nos conflitos árabes, diz Celso Amorim

Atualizado: Terça-feira, 5 Abril de 2011 as 8:14

O ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim disse nesta segunda-feira (4) que o Brasil tem condições de ajudar na resolução dos conflitos que atingem diversos países árabes. Para ele, o país adquiriu nos últimos anos influência para essa negociação.

"O que acontece nos países árabes é extremamente importante, talvez o acontecimento mais importante do século 21, mais importante do que o ataque às Torres Gêmeas. (...) E o Brasil tem condições de interlocução que não tinha antes", disse o ex-ministro durante aula inaugural do primeiro semestre de 2011 do Instituto de Ciência Política e do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB).

Dois governantes já deixaram os cargos no mundo árabe após levantees populares – na Tunísia e no Egito. Na Líbia, uma onda de revolta popular pode derrubar o ditador Muamar Kadhafi, há 42 anos no poder. Há ainda protestos na Jordânia, Iêmen, Argélia, Mauritânia, Síria, Arábia Saudita, Bahrein, Marrocos, Sudão e Omã (saiba mais sobre a revolta árabe).

Amorim destacou a uma plateia formada basicamente por universitários que os protestos no mundo árabe não têm semelhança com as transformações ocorridas no Ocidente. "É diferente do que aconteceu com o muro de Berlim. Ali houve estímulo para que as coisas caminhassem daquela forma. Nos países árabes, não sabemos. A única coisa em comum é o traço libertário."

Para Amorim, o Brasil viveu a experiência de passagem do regime militar para o civil, além de ter conhecimentos sobre o processo eleitoral, que podem ser benéficos para os países árabes.

"As questões sociais foram o estopim para revoltas nesses países. O fato de o Brasil ter tido políticas sociais que contribuíram para diminuir a desigualdade também pode ajudar."

Governo Dilma

O ex-ministro Celso Amorim evitou comparar a política externa do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a atuação na área externa de Dilma Rousseff.

"Acho que programaticamente as políticas são parecidas. (...) O governo Dilma está muito no início para que possamos dizer. Claro que torço para que acerte e faça melhor que o governo Lula. Eu acho que não há diferenças profundas. Mas cada pessoa é uma e cada momento é um momento", afirmou.

Dificuldades

O ex-ministro afirmou que sua maior dificuldade no cargo foi a relação com a imprensa. Segundo ele, muitas ações de política externa do governo do ex-presidente Lula eram criticadas. "A mídia nunca aceitou que um operário fosse presidente da República. (...) Esse desejo de ver o país menor, pequeno, é algo muito forte", disse.

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