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Brasileiros vão a Cannes lançar longa de estreia 'diferente'

Brasileiros vão a Cannes lançar longa de estreia 'diferente'

Atualizado: Sexta-feira, 13 Maio de 2011 as 11

Conhecidos e premiados em Cannes, mas ainda praticamente anônimos no circuito comercial brasileiro, os diretores paulistas Juliana Rojas e Marco Dutra lançaram nesta quinta-feira (12), na riviera francesa, o seu primeiro longa-metragem, "Trabalhar cansa".

O filme é o único do país a competir este ano na prestigiosa seleção Un Certain Regard e foi apresentado pela produtora Sara Silveira com a bandeira nacional em punho.

"Esse filme é um pouco diferente dos filmes brasileiros que todos se acostumaram a gostar, mas foram esses dois jovens e talentosos cineastas que me permitiram estar aqui, pela segunda vez, na meca do cinema mundial", comemorou a produtora, que entre outros, assina os créditos de "É proibido fumar", "Os famosos e os duendes da morte" e "Cinema, aspirinas e urubus".

Vencedores do troféu Cinefondation de 2005 com um curta produzido ainda na Universidade de São Paulo ("O lençol branco"), os diretores agradeceram "a coragem e a generosidade" dos organizadores do Festival de Cannes por reconhecerm seu trabalho e disseram que não poderia haver lugar melhor para estrear o novo longa. "Esperamos poder honrar o Un Certain Regard, que sempre foi a nossa seleção favorita dentro do festival", disse Marco Dutra antes do início da sessão, prestigiada por colegas de elenco e de profissão, como o ator Rodrigo Santoro, e também pelos pais da dupla.

À primeira vista, "Trabalhar cansa" conta uma história tipicamente brasileira. Helena, interpretada pela atriz Helena Albergari, deixou a faculdade para casar e ser mãe, e quando as coisas parecem começar a entrar nos eixos outra vez decide abrir um mercadinho de bairro para complementar a renda da família. No mesmo dia em que encontra o local ideal, no entanto, recebe do marido a notícia de que foi demitido.

Mas o casal resolve apertar os cintos e apostar na empreitada, enquanto Otávio (Marat Descartes) pula de uma entrevista de emprego a outra na tentativa de "se recolocar no competitivo mercado de trabalho", para usar um chavão que o personagem odeia, mas não se cansa de ouvir nos encontros de recrutamento de RH.

Como as contas atrasadas da casa, os problemas no mercadinho não param de se acumular: o local parece estar se deteriorando, os problemas com os funcionários começam a aparecer e Helena vai se transformando em uma pessoa mais exigente e repressora com os empregados. Gradual mas sutilmente, ela passa a incorporar cada vez mais o esterótipo da patroa megera.

Só que, como bem frisou a produtora Sara Silveira antes da sessão, o longa de Rojas e Dutra é um pouco "diferente e vai além de examinar as questóes de desemprego, exploração e preconceito de classes bastante comuns na sociedade brasileira.

Com uma queda pelo realismo fantástico e o terror já revelada em curtas anteriores, como "Um ramo", os diretores vão construindo ao longo do filme um clima de suspense que sugere que, além dos problemas "deste mundo", pode haver algo mais trancando a vida de Helena e Otávio. Pode ser macumba, vingança ou qualquer outro esqueleto atrás do armário. Resta ao espectador deixar os convencionalismos de lado e embarcar na ousadia dos diretores como já fizeram seguidas vezes os organizadores do Festival de Cannes.

Por: Diego Assis

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