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A cada 5 veículos furtados em São Paulo, 2 são recuperados

A cada 5 veículos furtados em São Paulo, 2 são recuperados

Atualizado: Segunda-feira, 3 Fevereiro de 2014 as 6

roubos de carros
A cada cinco veículos roubados ou furtados na capital paulista, dois (40%) são recuperados. É o que mostram as estatísticas de 2013 da Secretaria da Segurança Pública (SSP) de São Paulo.
No ano passado, 99.206 veículos foram roubados ou furtados na cidade, o maior índice desde 2005. Em relação a 2012, houve um aumento de 14%. Em contrapartida, 39.692 carros foram encontrados pela polícia em 2013.
Levantamento do G1 revela que o 49º DP em São Mateus, na Zona Leste, encabeça o ranking de roubos e furtos de carros entre os 93 distritos policiais da cidade, com 2.907 registros.
 
O 98º DP do Jardim Miriam, Zona Sul, registra o maior número de carros recuperados no ano passado: 2.353. São Mateus aparece logo atrás, com 2.324. Para fazer o mapeamento, a secretaria considera a delegacia em que foi registrada a ocorrência.
 
Ocorrências
A média na capital é de 11 ocorrências por hora no último ano. Na quarta-feira (29), o G1 presenciou o registro de roubo de dois carros em menos de uma hora no 49º DP de São Mateus. Um adolescente de 14 anos foi detido. Um empilhador e um cineasta, que preferiram não se identificar, foram ao local para aguardar a liberação de seus carros.
No caso do empilhador, o crime ocorreu na madrugada de domingo (26). Ele chegava de uma festa com dois amigos e tinha acabado de estacionar o carro na frente da casa de um vizinho quando viu um veículo parar a seu lado. “Eu não me lembro de muita coisa. Só pediram para eu descer”, conta.
 
Morador de São Mateus, ele diz não se surpreender com os roubos, e sim com a audácia dos criminosos. “Eles estão cada vez mais abusados.”
O Corsa prata do empilhador, encontrado com alguns arranhões, sem rodas e sem o som foi utilizado em um assalto na região da Vila Formosa na manhã de quarta, segundo a Polícia Militar.
Já o cineasta voltava para casa em seu Polo, por volta das 5h de quarta, quando foi abordado em um semáforo. “Desceram três pessoas, mas foi relativamente tranquilo. Um deles tinha uma arma prateada, como se fosse um 38. Não teve gritaria, nada. Só me perguntaram se tinha segredo”, diz.
 
'Roubo aqui é um atrás do outro'
O comerciante Adriano Moura da Silva, de 31 anos, diz ter sido assaltado duas vezes nos últimos dois meses e reclama da violência no bairro. “Na conversa com os clientes a gente escuta que roubo aqui é um atrás do outro. Não tem conversa. Vacilou, ficou sem: sem carro, sem rádio, sem celular, sem vida. Sem alguma coisa você vai ficar”, afirma.
Pouco antes do Natal, ele tinha acabado de fechar seu estabelecimento quando foi abordado por dois homens, um deles armado, na Avenida Mateo Bei, uma das principais da região de São Mateus. “A uns 30 metros de distância, ele me fez um sinal com uma mão. Pensei que era algum conhecido. Quando olhei direito, vi a arma. Saí do carro e corri. Quando eu passei no posto da polícia, a primeira coisa que me perguntaram era se o carro tinha seguro. Nem perguntaram se eu estava bem.”
 
A EcoSport foi encontrada pela polícia cerca de seis horas depois. Além de ficar sem a carteira, o celular e as chaves de casa e da pizzaria, ele ainda teve de levar o carro para a oficina. “Gastei uns R$ 4,5 mil. Tive que trocar o motor e a embreagem. Não sei o que fizeram com o meu carro.”
 
O comerciante José Menezes, de 60 anos, que é cliente de Adriano, também já teve o carro da empresa onde trabalha furtado duas vezes enquanto estava na pizzaria. Nenhum dos carros tinha dispositivo de segurança. “Quando levaram a Fiorino, eu ainda vi o molequinho. Já quando foi o Gol, eu não vi nada. A gente encontrou depois sem bateria”, diz.
 
Bairro limítrofe
O presidente do Conseg (Coordenadoria Estadual dos Conselhos Comunitários de Segurança) de São Mateus, José Moreno Ramirez, professor de tecnologia mecânica, acredita que a região não é a mais problemática da capital, apesar da estatística.
 
“Fazemos divisa com cidades como Santo André e Mauá. Muitos carros encontrados em São Mateus foram roubados em Santo André, por exemplo. Por isso, os índices crescem. Ouço muitos relatos de policiais dizendo que o criminoso rouba um carro para voltar para casa. Depois esse carro é encontrado sem o aparelho de som ou sem o estepe. O problema da criminalidade não é só de São Mateus. É da nossa pátria”, diz.
Entre as soluções apontadas pelo presidente do Conseg para diminuir a violência está uma melhora no salário dos policiais civis e militares.
 
Combate aos roubos e furtos
Em nota, a SSP afirma que adota medidas para combater os roubos e furtos de veículos, como a Lei dos Desmanches, que endurece as exigências para a venda de peças usadas, e o leilão de veículos apreendidos para liberar os pátios da cidade.
 
“Desde setembro, as polícias da capital também contam com o Ragisp (Relatório Analítico Gerencial de Inteligência de Segurança Pública), um ‘mapa do crime’ que aponta os principais pontos de incidência de ocorrências”, afirma a secretaria.
 
“Além disso, foi implantada neste mês a bonificação de até R$ 8 mil por ano para os policiais militares, civis e técnico-científicos que contribuírem para a redução dos índices de criminalidades, entre eles o roubo e o furto de veículos”, diz a nota.
 

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