Câmara de Florianópolis absolve vereadores acusados de corrupção

Câmara de Florianópolis absolve vereadores acusados de corrupção

Atualizado: Terça-feira, 15 Fevereiro de 2011 as 8:19

A Câmara de Florianópolis arquivou os pedidos para cassar os vereadores Asael Pereira (PSB) e Ricardo Vieira (PCdoB), acusados de quebra de decoro por suposta compra de votos para a eleição à presidência da casa, vencida por Jaime Tonello (DEM), em dezembro de 2010.

As duas votações no plenário na noite de segunda-feira (14) registraram o mesmo placar. Nove vereadores pediram as absolvições de Pereira e Vieira, e seis, suas cassações --eram necessários ao menos 11 votos para cassá-los.

Na última sexta (11), o Conselho de Ética da Câmara decidiu levar ao plenário o pedido de cassação dos vereadores, e arquivou o processo contra o vereador João da Bega (PMDB), candidato derrotado na disputa pela presidência da casa e pivô das denúncias.

Em vídeo divulgado na internet em dezembro, Bega afirmou que colegas pediram R$ 230 mil por voto. Sem saber que estava sendo filmado, ele disse ainda que não havia sido eleito porque "faltou dinheiro para cobrir a proposta".

Segundo Bega, apoiado pela prefeitura na eleição para a liderança do Legislativo, Ricardo Vieira pediu o dinheiro em troca de voto no pleito. "Não estou dizendo que ele levou dinheiro de alguém, mas que pediu a mim. Me sujeito até a um detector de mentiras, e ele tem que topar ir comigo", afirmou Bega.

Já o vereador Asael Pereira foi acusado pelo prefeito, Dário Berger (PMDB), de pedir R$ 60 mil como condição para apoiar a chapa apoiada pelo Executivo municipal. O pedido teria sido feito em reunião com o líder da prefeitura na Câmara, Norberto Stroisch (PMDB), cerca de dez dias antes da eleição da mesa diretora.

O advogado de Pereira, Celso Bedin Júnior, afirmou que a acusação é "leviana, pífia" e que não há provas contra o vereador. Ele disse ainda que o procedimento administrativo conduzido pelo Conselho de Ética da casa é viciado, pois um de seus cinco membros, Edinon Manoel da Rosa (PSB), compunha, ao mesmo tempo, a mesa diretora e o conselho na época da acusação, o que não é permitido pelo regimento da casa.

Em resposta a João da Bega, o vereador Ricardo Vieira disse que por "detector de mentiras também passo a qualquer momento. Isso não é argumentação nessa hora, ainda mais de um vereador de quem só saem mentiras". Ele afirmou que as acusações são motivadas apenas por interesses políticos.

"Sempre fui oposição ao grupo político do prefeito. Fui um dos articuladores da chapa de oposição, para conseguir a maioria dos votos. O que aconteceu é que, após a vitória [de Jaime Tonello para a presidência da Câmara], o grupo liderado pelo prefeito tentou macular a nossa situação", afirmou Vieira.

O vereador Norberto Stroisch, líder da prefeitura, disse que qualquer julgamento no Legislativo é político.

"Você não precisa materializar nada, como [é necessário em] um inquérito policial. A questão maior não é a pura e mera cassação de um ou dois vereadores, mas sim a implosão do processo que elegeu a mesa diretora. Independentemente do que acontecer, há ainda um inquérito policial, e tudo indica que resultará em indiciamento de vereadores", afirmou Stroisch.

Por Fábio Freitas

veja também