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Caminhões contribuem para o aumento da poluição em SP

Caminhões contribuem para o aumento da poluição em SP

Atualizado: Sexta-feira, 13 Maio de 2011 as 1:01

Assim como os carros, caminhões são os grandes inimigos da qualidade do ar em São Paulo. A sujeira da fumaça escura vai direto para dentro do corpo e faz mal, agravando doenças respiratórias e de circulação. Na capital, são 190 mil caminhões que jogam poluição no ar todos os dias. Boa parte deles vem de outras cidades e só passam por São Paulo.

Os potentes e pesados motores são movidos a diesel, o combustível mais poluente de todos. A cada acelerada, saem milhares de partículas tóxicas. “Hoje os caminhões e ônibus são os maiores poluidores, principalmente de material particulado e oxido de nitrogênio, que são poluentes locais”, diz Francisco Nigro, professor de engenharia mecânica da USP.     No terminal Fernão Dias, circulam milhares de caminhões diariamente. Eles chegam e descarregam, carregam de novo e já partem para uma nova viagem. Não é nada bom respirar na região. Com o vai e vem, o liga e desliga motor, o cheiro fica insuportável, o nariz arde e a cabeça dói.

Os especialistas dizem que todo caminhão costuma soltar mais fumaça na primeira partida do dia. Depois o motor esquenta e deveria soltar menos fumaça. Entretanto, se ela for escura não é normal.

“Isso é muita poluição. O caminhão, mesmo sendo um caminhão velho, não pode fazer essa fumaça preta. Isso é desregularem da bomba injetora. Isso é problema de fiscalização. Tem que apreender o caminhão”, alerta Nigro.

Uma das medidas para combater esse problema é a inspeção veicular, obrigatória para os veículos a diesel desde 2008. Só que muitos caminhoneiros não passam pela avaliação. De acordo com a Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente, dos quase 120 mil caminhões com placas de São Paulo, menos da metade fez a vistoria no ano passado.

Quase 20% dos caminhões que passaram pela última inspeção veicular foram reprovados. De dezembro do ano passado até março deste ano, pouco mais de 68 mil veículos foram multados por falta de inspeção, contando com os caminhões.

A Prefeitura também restringiu a circulação de caminhões grandes, o que aumentou a quantidade de Veículos Urbanos de Carga (VUCs). Já são mais de 6 mil circulando pela cidade.

“É uma questão de logística, quando retira caminhões maiores e coloca veículos menores no caso, os VUCs, há uma melhoria na mobilidade dentro do centro. Então embora tenha um número maior, ele causa um impacto menor na restrição de tráfego, então até na manobra, condição de estacionamento, carregar e descarregar melhora fluidez no tráfego”, diz o assessor ambiental da Secretaria Municipal dos Transportes, Márcio Schetino.

Grandes ou pequenos, todos têm que obedecer ao rodízio no centro expandido. Os caminhões pesados também não podem circular em algumas vias específicas. “Na cidade houve uma diminuição em torno de 20 mil caminhões a menos circulando. Isso pode ser observado em alguns pontos específicos como na Avenida Bandeirantes que teve uma redução de 44%, na Marginal Pinheiros de 27% e na Marginal Tietê de 9%”, completa Schetino.

Denúncia

O diesel é o combustível mais poluente que existe, pois tem muito enxofre e a queima libera gases tóxicos no ar que a gente respirar. A Cetesb oferece um serviço pela internet para que a população denuncie caminhões que soltam fumaça preta.

A denúncia pode ser anônima ou a pessoa pode se cadastrar pra receber um retorno da sua reclamação. A denúncia também pode ser feita por telefone, por meio do Disque Fumaça-Preta, no telefone 0800 11 35 60.

Depois de passar todas as informações dos infratores, o atendente fornece o número de protocolo. A Cetesb manda uma carta para o proprietário do veículo. Caso seja constatado que realmente o veículo está irregular, o proprietário recebe uma multa. Se ele regularizar, pode recorrer dessa multa. Todos os veículos registrados no estado de São Paulo podem ser denunciados.

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