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Caminhões invadem avenidas no Morumbi e carros buscam vias locais

Caminhões invadem avenidas no Morumbi e carros buscam vias locais

Atualizado: Terça-feira, 14 Setembro de 2010 as 1:22

Barulho, fumaça e tráfego intenso. Essa é a rotina que moradores do Morumbi e de outros pequenos bairros próximos na Zona Sul de São Paulo têm enfrentado desde que os caminhões tiveram sua circulação proibida durante o dia na Marginal Pinheiros. As principais avenidas da região foram tomadas por veículos de carga, e em busca de alternativas, os carros de passeio migraram para as pequenas ruas dos bairros – deixando vias antes pacatas com tráfego constante.

Segundo quem vive e trabalha no local, as vias mais afetadas pelos caminhões são as avenidas Morumbi, Giovanni Gronchi, Eliseu de Almeida e Jorge João Saad. Nesta última, por volta das 8h desta terça-feira (14). “É muito fluxo de caminhões, uma fumaça que não dá para aguentar. Antes era difícil passar um caminhão por aqui”, afirmou José Fernandes da Silva, de 62 anos, responsável por uma lanchonete na avenida. “O pessoal reclama que está sentado aqui e vem muita fumaça. Os caminhões soltam muita poluição quando param no sinal.” É difícil trafegar por mais de um quarteirão sem ver um caminhão no bairro. Os motoristas dos veículos de carga utilizam as vias para evitar a Marginal Pinheiros, proibida entre 5h e 21h de segunda a sexta-feira desde o dia 2 de setembro. A expectativa da Prefeitura era de que eles passassem a usar o Trecho Sul do Rodoanel. Entretanto, muitos ainda preferem passar por dentro da capital paulista, complicando o trânsito de algumas vias até em horários nos quais o tráfego costumava ser tranquilo. “Fora do horário de pico a Avenida Morumbi era bem tranquila, não tinha porque fugir dela. Agora ela está cheia de caminhões, que ocupam as duas faixas, porque a avenida é estreita, com curvas e muitas árvores”, conta o professor Flávio Ferreira, de 27 anos. Outra via com tráfego intenso é a Avenida Eliseu de Almeida, bastante esburacada e com obras que a interditam parcialmente.

Pequenas ruas

Os caminhões que se arriscam nas vias menores complicam ainda mais o trânsito. Os bairros usados como rotas de fuga das restrições na Marginal Pinheiros e na Avenida dos Bandeirantes são tomados por ruas estreitas e com várias subidas e descidas – diminuindo ainda mais a velocidade dos veículos de carga. “Está difícil de sair de casa. Qualquer caminho que a gente tenta fazer tem trânsito. Tenho que sair mais cedo para levar meus filhos para a escola. Quase bati meu carro outro dia porque um caminhão estava ocupando duas faixas e não tinha espaço para passar”, contou a dona de casa Mariângela Ferreira, de 42 anos.

Dono de uma banca de jornal em uma travessa da Avenida Jorge João Saad, César Rodrigues dos Anjos, de 58 anos, conta que vê impacto também nas ruas menores. “O trânsito ficou muito pesado. A Rua José Jannarelli virou rota de fuga dos carros, fica tudo parado. O pessoal reclama muito, comenta que o trânsito está ruim por causa dos caminhões”, explicou ele, que também teme um aumento nos assaltos. “A Giovanni [Gronchi] já é recordista de assaltos. Agora ela vive parada, é mais fácil assaltarem os motoristas com o trânsito parado.”

Em algumas avenidas da região, como a Padre Lebret, que liga as avenidas Morumbi e Jorge João Saad, há restrição a caminhões – nesse caso, eles são proibidos entre 6h e 9h. Entretanto, nesta manhã, muitos trafegavam pela via dentro desse horário, e sem fiscalização, seguiam sem problemas. CET

Em nota, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) informou que está “realizando estudos do impacto dessas medidas no bairro, acompanhando e monitorando o comportamento do trânsito. Entre as vias monitoradas estão as avenidas Giovanni Gronchi, Morumbi, Eliseu de Almeida e Francisco Morato”.

A companhia também afirmou que, caso seja necessário, a restrição a caminhões poderá ser ampliada. A CET reforçou que o Rodoanel é a melhor alternativa para o tráfego de cargas.

Postado por: Thatiane de Souza

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