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Casa noturna de SP gravou correria durante briga de skinheads e punks

Casa noturna de SP gravou correria durante briga de skinheads e punks

Atualizado: Segunda-feira, 5 Setembro de 2011 as 4:31

Kleber Tomaz Do G1 SP

imprimir A boate Carioca Club, na Zona Oeste de São Paulo, informou nesta segunda-feira (5) que cedeu à Polícia Civil imagens gravadas por câmeras de segurança da sua bilheteria que mostram uma "correria" em frente ao local durante a briga entre skinheads e punks, que resultou na morte de um jovem, deixou outro internado em estado grave e ainda provocou ferimentos em várias pessoas no sábado (3). O objetivo da investigação policial agora será o de tentar identificar suspeitos de terem participado do confronto que foi marcado pela internet. O conflito ocorreu em frente à casa noturna, na Rua Cardeal Arcoverde, durante o show de uma banda de rock inglesa, a Cock Sparrer.

“As cenas da bilheteria não mostram a briga, mostram uma correria, uma confusão que ocorreu na rua”, afirmou o produtor de eventos da Carioca Club, Ricardo Garcia. “A polícia pegou o computador com as gravações nesta manhã [de segunda]”.

Segundo Garcia, a casa avisou a Polícia Militar com quase uma semana de antecedência sobre o show e pediu reforço no policiamento na região porque circulavam na internet boatos de que os grupos rivais de skinheads e punks poderiam se enfrentar. O que realmente ocorreu.

  “Com certeza, foi uma briga marcada. Isso foi bem claro. Skinheads, punks, não dá para definir se são gangues opostas. Hoje na internet é tudo muito globalizado. A gente entra nas comunidades dessas bandas especificas até para se fazer propaganda do evento e lá você consegue essas informações de que poderia haver algum tipo de encontro entre duas gangues rivais. Não me recordo o nome delas, mas poderia, sim, haver um encontro”, contou Garcia.

O G1 apurou que as imagens da Carioca Club estão em poder da investigação da Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) para serem analisadas. Segundo informou a assessoria de imprensa da Secretaria da Segurança Pública do Estado de SP, é a Decradi que irá presidir o caso, que anteriormente havia sido registrado no 14º Distrito Policial, em Pinheiros.

A delegada Margarette Barreto, titular da Decradi, ainda não falou sobre o caso. Informalmente, policiais civis da delegacia de intolerância disseram não terem sido alertados pela PM sobre a denúncia de que poderia ocorrer uma briga próximo à casa noturna no sábado passado.

Oito pessoas foram detidas por suspeita na briga e levadas para o 14º DP, onde acabaram liberadas após prestarem depoimento entre sábado e domingo (4). Todos esses averiguados serão convocados novamente para serem ouvidos pela Decradi. Além das quatro facas, também foram apreendidos dois skates, estilingue e bolinhas de gude.

Polícia Militar

Procurada, a assessoria de imprensa da PM informou que não tinha como avisar a Polícia Civil porque possuía a notícia de que poderia haver o fato, mas não sabia onde isso poderia ocorrer. Ainda de acordo com a PM, ela informou que sabe que a Decradi também monitora as redes sociais.

Em entrevista concedida nesta manhã, o porta-voz do Comando de Políciamento da  PM, capitão Cleodato Moisés, afirmou que ao saber da denúncia da possibilidade de enfrentamento entre punks e skinheads a Polícia Militar reforçou o policiamento na área. 

Punk morto

Mesmo assim, isso não foi suficiente para impedir que 200 pessoas atendessem ao chamado para o conflito nas redes sociais. Durante a briga, Johni Raoni Falcão Galanciak, de 25 anos, foi esfaqueado e morto. Conhecido como Johni Punk, o jovem já teve passagens pela polícia por envolvimento em outras brigas. Em 2007, foi detido suspeito de participar do espancamento de um estudante de 17 anos. Também já esteve em situação contrária, na de vítima, quando quase foi morto em 2006 por skinheads.

A mãe de Johni Raoni, a professora Patrícia Conceição, diz que quem bateu no filho dela tinha um objetivo claro. “A intenção era matar. Era ódio. É isso que está em jogo. Peço à sociedade brasileira que fique de olho nisso. Eu espero que haja justiça, averiguação e que os responsáveis sejam presos e punidos”, afirmou.

Ferido

Na hora da confusão, cerca de 400 pessoas estavam na rua. Uma delas era Fábio dos Santos Medeiros, de 21 anos, que foi agredido e continua internado no Hospital das Clínicas em estado grave na tarde desta segunda. De acordo com a assessoria de imprensa da instituição, ele sofreu traumatismo craniano e estava na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital. A polícia suspeita que Medeiros seja skinhead.

A rivalidade entre os dois grupos é histórica. Desde 2003, os skinheads se envolveram em várias agressões contra negros e homossexuais.

Uma testemunha assistiu ao confronto da sacada do apartamento.“Dava para ver que o grupo estava desprotegido. O outro grupo, dos skinheads, ateava fogo, atirou pau e pedras. Eles estavam vindo para cima com muita violência. Um absurdo, é uma coisa que não dá para explicar. Não tem uma razão para um ser chegar a uma tal situação de violência”, relatou a testemunha.        

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